
Música, poesia, contação de histórias. O sarau na Casa das Rosas, um dos casarões mais antigos da capital paulista, erguido no início do século XX, atraiu professores de todas as áreas do conhecimento na noite desta sexta-feira, 7. Professor e escritor, Francisco Marques, conhecido como Chico dos Bonecos, cantou, recitou, leu, declamou e interpretou, arrancando aplausos e risadas da platéia durante quase uma hora. Chico aproveitou ainda para discutir um pouco sobre leitura e como aproximá-la das crianças, usando brinquedos feitos de caixas de fósforos, garrafas pet e madeira. Com os instrumentos, ele criou ali mesmo brinquedos, figuras animadas, trazendo lembranças de infância. O evento, que termina domingo, faz parte da 3ª edição do Valeu, Professor 2011, que começou hoje na cidade oferecendo mais de 230 atrações para os educadores.
A Educadora Eliane Rampazo de Oliveira dá aulas de Ciências na EMEF Clotilde Rosa Henrique Elias (DRE Itaquera) e estava curiosa para conhecer o casarão e participar pela primeira vez de um sarau. Já a professora Maria Jerônima Correa França, da EMEF Parque das Flores (DRE São Mateus), contou que aproveita as suas aulas de Português para trabalhar a poesia com os alunos. Ela cita Carlos Drummond de Andrade e Cecília Meireles como alguns de seus poetas favoritos. "Gostei muito deste sarau", disse.
A professora Cláudia Regina Freire Amieiro (EMEF Nelson Pimentel Queiroz/DRE Santo Amaro) aproveitou a oportunidade para trazer a mãe Zilda Freire Sayão. Cláudia já conhecia a Casa das Rosas e também já participou de várias oficinas de literatura, português e redação. Como nunca havia estado em um sarau, a expectativa foi grande. Ela e a mãe puderam ouvir o conto O Pobre e o Rico, de Grimm, e O Lenhador, de Catulo da Paixão Cearense, na voz de Chico dos Bonecos.
Tombamento - Originalmente, a Casa das Rosas foi construída pelo arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo para a filha Lúcia morar com o marido, o engenheiro Ernesto Dias de Castro. O casarão foi uma residência até 1985, quando foi tombado pelo Patrimônio Histórico e fechado para restauração. Passou a funcionar como galeria de arte, mas foi fechado para uma segunda restauração, sendo reaberto em 2004. Um ano antes, a família do poeta concretista Haroldo de Campos, morto naquele ano, doou mais de 20 mil livros do acervo pessoal do poeta, que acabou emprestando seu nome à casa, hoje chamada Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura.