Poesia e música emocionam coração financeiro da cidade

22/10/2010

Tem gente que acha São Paulo dura, há os que acreditam que a cidade seja fria demais, e muitos juram que é uma metrópole que só pensa em dinheiro, em dinheiro, em dinheiro. Essas pessoas, que não conhecem bem a alma de São Paulo, teriam uma oportunidade ímpar de serem apresentadas a ela se tivessem participado nesta sexta-feira (22) do sarau Uma rosa, é uma rosa, é uma rosa, é uma rosa.

A escolha do nome do sarau, uma brincadeira prá lá de concretista, homenageou o poeta Haroldo de Campos, que morou na Casa das Rosas. O encontro foi iniciativa do Núcleo de Ação Cultural (NAC) do CEU Alvarenga (DRE Santo Amaro). Como a flor foi lembrada em todas as letras das canções apresentadas pela voz melodiosa de Rosa Rosah, como As rosas não falam, de Cartola, ou Rosa Morena, de Dorival Caymmi, a química não poderia ser mais perfeita. O momento uniu todos os corações presentes e, quando o evento acabou, todo mundo saiu com a sensação de que uma cidade se faz também com aqueles momentos em que paramos tudo e dedicamos um pouco de tempo para deixar que nossos sentidos sejam embalados pela música, pelo sonho, pela poesia e pelo encanto de viver.

Contemplação literária e musical

Foi uma noite de contemplação literária e musical. Além de cantarem junto com Rosa Rosah, os presentes ouviram, dispostos em círculo, trechos de crônicas, contos e poesias dos professores autores do livro "Eu me lembro...". A obra foi lançada nesta sexta (22) no hall de entrada do prédio que sedia a Prefeitura de São Paulo, no Viaduto do Chá, como uma das 350 atividades oferecidas no Valeu, Professor 2010.

Para a professora Sueli Aparecida Candido, 42 anos, que participou pela primeira vez de um sarau, a experiência foi única. Ela ficou inspirada de levar o sarau para as suas salas de aula. "Recitar tem que vir da alma e senti isso aqui", elogiou. A educadora Elenice de Jesus Neri Gomes, 42 anos, sempre acompanha o sarau do CEU Alvarenga. Muito emocionada, contou que era a primeira vez que visitava a Casa das Rosas. "O Valeu, Professor 2010 me deu essa oportunidade", agradeceu.

A poesia que paira

Ficou nas palavras do professor Jacson Matos o sentimento que envolveu a todos. Para ele, são mágicos aqueles momentos em que os saraus se desmancham e permitem que a poesia paire no ar. "É isso que me edifica como homem, é assim que louvo o meu ofício como professor porque a poesia é algo que se faz no saber". A vida seria insuportável para Jacson se não fosse a dádiva da arte. "Professor é quem professa sem saber que está ensinando", diz. O fim do sarau ficou por conta da professora Radi Oliveira, que recitou A morte de Nana, obra de Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré, falecido em 2002.


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