Novo presidente da Praticagem defende limite para embarcações


Fernanda Balbino

O presidente da Praticagem de São Paulo, Cláudio Paulino, defende que seja estabelecido um limite para as dimensões dos navios que trafegam no Porto de Santos. Além da restrição de calado (distância vertical da parte que permanece submersa), para o prático, apenas embarcações de até 266 metros poderiam trafegar pelo complexo. A medida,segundo ele, aumentaria a segurança e não aumentaria os custos operacionais.

“Por que o Porto tem que se adaptar aos navios e os navios não precisam se adaptar ao Porto?”, questiona Paulino. Ele se refere às constantes tentativas de armadores e terminais de trazer embarcações cada vez maiores ao cais santista, mesmo com as limitações geométricas do canal.

Hoje, embarcações de até 336 metros podem trafegar no Porto de Santos. No entanto, cargueiros dessas dimensões precisam respeitar exigências da Marinha, que estabelece condições especiais para que essas manobras aconteçam.

Tudo depende da localização do terminal onde esses navios irão operar, das condições de maré, visibilidadee da presença de dois práticos. Para Paulino, limitar o tráfego de navios com até 266 metros de comprimento permitiria a navegação sem restrições no cais santista.

“Navio não é só profundidade. Também é comprimento e largura. Em uma curva, ele aumenta em quase 100% a sua largura. E a gente costuma dizer que navio não dobra esquina. Navio faz curva”,explicou o presidente da Praticagem de São Paulo. O profissional se refere aos principais obstáculos naturais do canal do estuário.

Questionado sobre um possível aumento nos custos com o frete marítimo, por conta da diminuição do tamanho das embarcações, o presidente da Praticagem é taxativo. “O custo não baixa com a vinda de navios maiores ao Porto. Se o dono da carga decidir sair do Porto, eu me preocupo”.

Hoje, em média, os práticos realizam uma média de 35 manobras diárias no canal de navegação do Porto de Santos. Há cerca de dois anos, este número girava em torno de 40.

A queda no número de atracações e desatracações é causada pelo aumento da dimensão das embarcações que operam no Porto de Santos. Como esses navios podem carregar mais, a fim de transportar o mesmo volume decargas, há a necessidade de um menor número deles.

Dragagem

Este cenário é possível devido aos investimentos em dragagem de aprofundamento, que continuam sendo o maior desafio do Governo Federal em termos de infraestrutura portuária.

Mas o presidente da Praticagem acredita, assim como os executivos da Companhia Docas do Estadode São Paulo (Codesp), que um dia será inviável dragar o canal do estuário. “Acontece que não se sabe o que tem debaixo da lama. Uma hora pode-se esbarrar em corpos rochosos, como já aconteceu, e dragar pedra é sempre mais dispendioso”,afirmou.

Sobre a intenção da Autoridade Portuária de estudar a construção de terminais de águas profundas no exterior da Baía de Santos, o projeto Santosvlakte, Paulino acredita se tratar de uma realidade distante”. Ele aponta a necessidade de estudos ambientais como um entrave no processo de expansão do Porto fora do canal de navegação. Neste caso, há até a interferência na paisagem marítima da Cidade.

CNAP

Conforme publicado em exclusividade por A Tribuna na edição do último dia 1º, os investimentos da Praticagem de São Paulo para este ano dependem dos levantamentos da Comissão Nacional para Assuntos de Praticagem (CNAP), que estuda os preços praticados pela entidade.

Isto porque as tarifas de praticagem cobradas nos portos poderão ter corte de até 70%, segundo proposta apresentada pelo Governo para os complexos portuários de Santos e São Sebastião e os dos estados do Espírito Santo e da Bahia. O motivo é que o preço cobrado pelo serviço é apontado como uma das principais fontes de custos portuários.

“Evidentemente, com uma redução desse patamar, não vamos poder manter a qualidade do serviço. E essa queda da qualidade não é do profissionalismo do prático. Mas será impossível, materialmente falando, manter seis lanchas operando 24 horas por dia e 110 funcionários”.

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