Coqueluche: adolescentes e adultos são os que mais contagiam as crianças pequenas
A informação foi dada pelo médico Rolando Ulloa-Gutierrez, da Costa Rica, durante o III Seminário Internacional de Vacinas, que vai até sábado (29) no Hotel Sofitel, em São Paulo. Ele explicou que a maioria das internações, complicações e mortes ocorrem em bebês com seis semanas de vida.
Com prevenção por vacina assegurada já há mais de 50 anos, a coqueluche é hoje a quinta maior causa de mortes de crianças menores de cinco anos no mundo por doenças imunopreveníveis.
Causada pela bactéria Bordetella pertussis, a popular “tosse comprida” atinge cerca de 18 milhões de pessoas por ano, causando 250 mil mortes, conforme estimativas da Organização Mundial da Saúde.
No III Seminário Internacional de Vacinas, que acontece até sábado (29) em São Paulo, o pediatra costa-riquenho Rolando Ulloa-Gutierrez disse que hoje os adolescentes e adultos são as maiores fontes de transmissão da coqueluche para crianças pequenas. As principais vítimas são aquelas que não tomaram a série básica de três doses da vacina aos dois, quatro e seis meses de idade.
“Nas últimas décadas, a incidência da doença mudou de forma significativa. A maioria das internações, complicações e mortes ocorrem em bebês com seis semanas de vida”, explica Rolando Ulloa-Gutierrez, médico especializado em Infectologia da Costa Rica, que dirige o Programa Nacional de Residência Médica, leciona na Universidade de Ciências Médicas e trabalha no Hospital Nacional Pediátrico Dr. Carlos Sáenz Herrera.
A diretora médica da Sanofi Pasteur, a divisão de vacinas do grupo Sanofi-Aventis, Lucia Bricks ensina que na infância a coqueluche possui sintomas bem definidos – tosse sucessiva, guinchos, falta de ar.
A partir da adolescência, seus sintomas se confundem com os de outras doenças respiratórias, dificultando o diagnóstico em jovens e adultos. “Por isso, esta doença é subestimada na maioria dos paises, particularmente, quando não se dispõe de testes laboratoriais capazes de identificar os casos atipícos, mesmo após uso de antibióticos”, diz a médica.
Por conta da subnotificação, o impacto da coqueluche na América Latina ainda é desconhecido. Dados da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo apontam 3,45% de letalidade em crianças de até seis meses. Os casos da doença no Estado passaram de 96, em 2006, para 258, em 2008.
MUDANÇAS
Segundo Rolando Ulloa-Gutierrez, as alterações epidemiológicas levaram ao surgimento de uma nova estratégia de imunização, conhecida por “cocoon” (casulo), que prevê a vacinação das pessoas com maior risco de transmissão para as crianças pequenas, como os pais, adolescentes, babás e demais cuidadores. A imunização de pessoas próximas formaria uma barreira natural contra a transmissão da doença em crianças pequenas, que assim ficariam protegidas em uma espécie de “casulo”.
“De uma forma geral, a estratégia deveria englobar outros grupos, como a população adulta e os profissionais em health-care”, alerta o médico. Rolando Ulloa-Gutierrez aponta as mães como as maiores fontes de transmissão na família. Por isso defende a imunização das mulheres desejosas de serem mães antes da gravidez e imediatamente após o parto.
A diretora médica da Sanofi Pasteur, Lucia Bricks, acredita que os pais e familiares não devem se descuidar da proteção da criança contra coqueluche, aplicando a série básica de vacinas e dois reforços. Cabe ressaltar que, embora no Brasil a cobertura vacinal seja superior a 90% no primeiro ano de vida, muitos pais deixam de fazer o segundo reforço em crianças entre quatro e seis anos.
“Este fato é preocupante porque as vacinas disponíveis na rede publica são elaboradas com células inteiras, o que impede a aplicação para crianças maiores sete anos, devido às reações adversas”, diz Lucia Bricks. Por isso, ela considera o advento das vacinas acelulares “um avanço” , porque podem ser administradas a pessoas com mais de sete anos, incluindo adolescentes e adultos.
Informações para a imprensa com Nora Ferreira – Lu Fernandes Comunicação e Imprensa – 11 3814-4600


Voltar
Nenhum Comentário
Nenhum comentário ainda.
Deixe um comentário