Dengue tipo 4 coloca Ribeirão em alerta
Novo sorotipo da doença chegou à região por meio de uma paciente de Serrana e há temor de que ele se espalhe
Secretaria da Saúde de Ribeirão diz que a chegada do tipo 4 da dengue à cidade é uma ‘questão de tempo’
JULIANA COISSI
ELIDA OLIVEIRA
DE RIBEIRÃO PRETO
Depois de viver seis epidemias seguidas de dengue, desde 2006, Ribeirão Preto está em alerta com a chegada de um novo sorotipo, o 4, à região. O risco de que ele se espalhe é real, segundo especialistas ouvidos pela Folha.
A própria Secretaria da Saúde de Ribeirão admite que a transmissão do novo sorotipo é uma questão de tempo.
Serrana, cidade vizinha a Ribeirão, confirmou na última sexta o primeiro caso com o tipo 4 -uma mulher de 30 anos contraiu a doença fora do município, no Piauí.
Para evitar a transmissão para outras pessoas, uma nebulização com veneno começou a ser feita anteontem em um raio de 22 quadras a partir da casa da paciente pelas equipes da Saúde de Serrana.
Apesar das sequentes epidemias, este início de ano está atípico em Ribeirão: são só quatro casos (leia ao lado).
O sorotipo 4 da dengue, ao qual a população está vulnerável, passou a circular no Brasil no ano passado. Inevitavelmente chegará a Ribeirão, segundo a chefe da Vigilância Epidemiológica, Ana Alice de Castro e Silva.
“Chegar é uma questão de tempo. Por isso é que temos de eliminar criadouro. Se não tiver mosquito, não terá transmissão”, afirmou.
O tráfego entre cidades, como ocorre de Ribeirão a Serrana, facilita a transmissão do novo tipo, diz o virologista da Unifesp Celso Granato.
“Entre cidades, a expansão ocorre se o mosquito for levado em algum meio de intenso fluxo de veículos”, disse.
Segundo Granato, um ponto positivo para Ribeirão é que há muitas pessoas que já contraíram dengue -cada pessoa infectada adquire uma imunidade contra qualquer tipo de vírus da dengue durant e seis meses.
“Depois desse tempo, porém, ele [o paciente] fica mais suscetível e o vírus se torna mais perigoso”, disse.
RISCOS
O infectologista Juvêncio Furtado, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, confirma o risco da gravidade de sintomas caso haja transmissão do tipo 4.
“Você pode ter novos casos mais graves de dengue porque o sistema imune não está afeito a esse novo vírus.”
Para evitar que o tipo 4 se espalhe, prefeituras e população devem se manter alertas. “[O tipo 4] Ainda não se espalhou e uma das coisas mais importantes é erradicar o mosquito”, disse Jean Gorinchteyn, virologista do Instituto Emílio Ribas.


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