Os cuidados com a saúde na volta às aulas
Crianças, pré-adolescentes e adolescentes precisam estar com a vacinação em dia para evitar doenças infecto-contagiosas, que se propagam facilmente no inverno, em ambientes fechados.
Fim das férias escolares. Os cuidados dos pais na volta às aulas não devem se limitar à revisão do material escolar e dos uniformes. É preciso redobrar a atenção com a saúde das crianças, principalmente quando se leva em conta que elas vão cada vez mais cedo para a escola. No inverno, ambientes fechados como as salas de aula são propícios para a propagação de doenças infecto-contagiosas. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda que os pequenos entre 4 e 6 anos recebam o reforço das vacinas contra coqueluche, sarampo, caxumba, rubéola, difteria e tétano. Os cuidados com a saúde também devem se estender aos pré-adolescentes e adolescentes.
“As crianças até os dez anos de idade ficam, em média, 16.000 horas dentro da escola, em contato estreito com outras crianças, expondo seus sistemas imunológicos a um constante desafio”, alerta o pediatra Edimilson Migowski, professor adjunto de infectologia pediátrica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e secretário do Departamento de Infectologia da SBP. Ele lembra que o Programa Nacional de Imunizações é muito bom, mas não é completo. Assim, muitas das vacinas recomendadas pela SBP não estão disponíveis nos postos de saúde.
É o que acontece, por exemplo, com a influenza, a popular gripe – recentemente, o governo fez uma enorme campanha para imunizar parte da população contra o vírus H1N1, causador da gripe suína. Mas ela é inócua contra a comum. “Os estudantes são os mais atingidos pela doença e os que mais propagam esse tipo de vírus. Está provado: a incidência da gripe é maior nas casas onde eles moram”, explica. “Apesar da recomendação da SBP, a cobertura vacinal contra a gripe é muito baixa na faixa etária entre 6 meses e 5 anos, mesmo entre os grupos de risco, como os asmáticos. A vacinação é muito importante para reduzir as complicações da doença”, reforça Lucia Bricks, diretora médica da Sanofi Pasteur, divisão de vacinas do grupo Sanofi Aventis.
A varicela – ou catapora – é uma das doenças mais comuns na infância porque se propaga rapidamente em lugares fechados. Ela pode ocorrer durante todo o ano. Porém, há um aumento dos casos no período de agosto a novembro, quando é comum a ocorrência de surtos em creches e escolas. Os sintomas mais comuns são febre, manchas vermelhas, coceira e o aparecimento de bolhas rosadas pelo corpo.
Ao contrário de outras doenças infecciosas, como o sarampo, a popular “tosse comprida” pode ocorrer mais de uma vez na vida. A partir da idade escolar, geralmente se manifesta de forma atípica, sem os sintomas clássicos – acessos prolongados de tosse, guinchos e falta de ar. O doente muitas vezes tem apenas uma tosse prolongada, que pode ser confundida com doenças respiratórias mais leves. Quando atinge os menores de dois anos, a coqueluche pode provocar diversas complicações e é motivo frequente de hospitalização. Edimilson Migowski ressalta ainda a necessidade de estender a proteção contra a coqueluche entre os adolescentes e adultos. A vacina contra a difteria, tétano e coqueluche para eles confere proteção por 10 anos, e só está disponível nas clínicas particulares.
Outros inimigos da saúde
Os pais também precisam proteger seus filhos contra as hepatites virais. Atualmente, são conhecidos cinco tipos – A, B, C, D e E. Destas, apenas as duas primeiras podem ser prevenidas pela vacinação. A hepatite A ocorre principalmente em locais onde não há saneamento básico ou em função da falta de higiene. Ela é transmitida por água ou alimentos contaminados com as fezes das pessoas infectadas. O vírus HVA, causador da doença, é extremamente resistente. É capaz de sobreviver 30 dias em alimentos secos como pães e bolachas, 10 meses em frutas congeladas a –30°C, e 89 dias em água mineral conservada a 20°C. No Brasil, de acordo com dados do Inquérito Nacional de Hepatites Virais, divulgados em maio do ano passado, a hepatite A já atingiu 40% da população brasileira até 19 anos.
Pais de adolescentes, por sua vez, precisam estar alertas para os perigos da hepatite B, considerada uma das formas mais perigosas da doença. Essa inflamação no fígado é transmitida pelo vírus VHB, cem vezes mais contagioso do que o da Aids. A disseminação do vírus acontece principalmente pelo contato com o sangue e secreções corpóreas de uma pessoa infectada. Assim, uma mulher infectada pode contagiar o filho no momento do parto. O uso compartilhado de seringas e injeções contaminadas também contribui para a propagação da doença. Além disso, o vírus da hepatite B pode ser transmitido por objetos cortantes – como alicates de unha, lâminas usadas por barbeiros, tatuagens, piercings. A hepatite B é considerada um mal silencioso porque nem todos que contraem a doença apresentam sintomas.
A proteção das vacinas
Para proteger as crianças e facilitar a atualização do calendário vacinal, a Sanofi Pasteur oferece uma única vacina combinada capaz de oferecer, com uma só dose, o segundo reforço contra difteria, tétano, coqueluche e poliomielite para crianças de cinco a 13 anos. É a vacina internacionalmente conhecida como Tetraxim.
Desenvolvida com tecnologia de ponta, ela vem pronta para uso, em seringas, o que facilita a administração. Por ser uma vacina combinada (contra mais de uma doença), simplifica o esquema de imunização e estimula os pais a seguirem corretamente o calendário determinado pelos médicos. “Quando a criança começa a frequentar a escola, muitos pais tendem a se descuidar da vacinação. Alguns perdem o segundo reforço, oferecido na rede pública até os sete anos de idade. Com essa nova vacina, as crianças maiores de sete anos podem receber o reforço”, afirma a pediatra Lucia Bricks.
Produzida com vírus atenuados (enfraquecidos), a vacina contra sarampo-caxumba e rubéola, conhecida no mundo por Trimovax, é indicada para maiores de 12 meses. Se aplicada até 72 horas após a exposição ao vírus do sarampo em pessoas suscetíveis, pode evitar a manifestação da doença.
A prevenção da hepatite A é feita por vacinas oferecidas apenas na rede particular. Produzida pela Sanofi Pasteur, a Avaxim é feita com vírus inativados (mortos) e já vem pronta para uso, acondicionada em seringa descartável. É recomendada para maiores de um ano. É bastante segura e, duas semanas após a primeira dose, a maioria das pessoas já tem anticorpos suficientes para garantir a proteção contra a doença. No entanto, recomenda-se dose de reforço após seis meses para que essa proteção seja duradoura.
A Sanofi Pasteur distribui também uma vacina contra hepatite B, internacionalmente conhecida como Euvax B, disponível em duas apresentações: uma pediátrica e outra para maiores de 16 anos. Deve ser tomada em três doses: a segunda, 30 dias após a primeira, e a terceira, após 180 dias. A Dra Lucia Bricks destaca que, embora a vacina contra hepatite B seja oferecida gratuitamente aos adolescentes nos postos de saúde, a cobertura nessa faixa etária é baixa porque eles não tomam as três doses, necessárias para conferir proteção duradoura.
Informações para a imprensa com Nora Ferreira / Ivani Cardoso
Lu Fernandes Comunicação e Imprensa – (11) 3814-4600


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