O drama do incesto é abordado mais uma vez por Graça Pizá em novo livro da Imprensa Oficial


“afetosecretos | o vocabulário” vem acompanhado por “afetosecretos | o filme”, obra sobre a história de uma mulher presa em uma bolha que, em determinada noite, tem sonhos que retratam um tempo de sua vida cercado de angústias, culpas, medos e silêncios, causados pelo desamor que gerou o incesto. Livro e filme serão lançados no dia 30 de outubro, a partir das 15h30, no Estande da Corag, durante a Feira do Livro de Porto Alegre.

afetosecretos | o vocabulário: aporte psicanalítico para a clínica da criança violentada
Graça Pizá
Imprensa Oficial do Estado de São Paulo
224 páginas
R$ 50,00

O Estatuto da Criança e do Adolescente diz, no seu artigo 18: “É dever de todos zelar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, aterrorizante, violento ou constrangedor”. A realidade, porém, está bem longe desse ideal, especialmente quando entra em cena a violência sexual contra crianças. E na maioria das vezes, um pesado manto de silêncio abafa qualquer pedido de socorro quando o abuso envolve a relação incestuosa entre pais e filhos. Ultimamente, um número crescente de vozes se levanta contra o sistema familiar que permite e acoberta tão perversa situação. Uma delas é a da psicanalista Graça Pizá, diretora da Clínica Psicanalítica da Violência/Revirança, do Rio de Janeiro.

Agora, o grito de alerta é feito por meio de “afetosecretos | o vocabulário”, novo lançamento da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, pelo selo Imprensa Social, em coedição com a Clínica Psicanalítica da Violência e apoio da Childhood Brasil – entidade que atua com foco na proteção da infância contra o abuso e a exploração sexuais –, a ser realizado neste sábado (30 de outubro), às 15h30, no estande da Corag montado para a Feira do Livro de Porto Alegre, na Praça da Alfândega. O livro vem acompanhado de um DVD, trazendo “afetosecretos | o filme”, que será exibido na seqüência, às 16h30, no Santander Cultural, Sala Oeste. São duas linguagens diferentes que permitem revelar a tragédia vivida por crianças, vítimas do ato violento e criminoso do incesto. Após a projeção do filme haverá um debate com as psicanalistas Sissi Castiel e Márcia Lisboa dos Santos e a desembargadora Maria Berenice Dias, com a mediação de Gabriella Ferrarese Barbosa.

“A sociedade precisa estar atenta a esse drama que destrói tantas famílias e o livro escrito por uma das maiores especialistas no tema traz uma importante contribuição”, avalia Hubert Alquéres, presidente da Imprensa Oficial.

“Afetosecretos | o vocabulário” utiliza conceitos psicanalíticos inspirados em imagens, desenhos, sons e palavras expressados por crianças e adolescentes que sofreram ou ainda sofrem trauma. Segundo Pizá, alguns desses conceitos foram adaptados da teoria de Freud e Lacan, enquanto outros foram criados por ela na tentativa de compreender a secreta comunicação, através da linguagem dos sonhos, própria da criança violentada, como afetosecretos, roboneca, criança-fetiche, mãe-aranha e objeto-fi (fetiche do incesto).

Não é primeira vez que Pizá dá voz a milhares de crianças nessa dolorosa situação. Em 2003, produziu, roteirizou e dirigiu o filme “A escuta do silêncio: o incesto através do olhar da criança em análise”, no qual atores reproduzem falas e fatos reais relatados por elas nas sessões de análise. Um ano depois, foi a vez do livro “A violência silenciosa do incesto”, também publicado pela Imprensa Oficial, coordenado em conjunto com a psicanalista Gabriella Ferrarese Barbosa, no qual 16 especialistas das áreas de Saúde, Educação e Justiça escrevem artigos inéditos sobre o tema do incesto. A publicação ganhou o Prêmio Jabuti de 2005.

As duas fundaram a Clínica Psicanalítica da Violência, em 1996, e criaram a Revirança, uma rede de especialistas para atender e tratar as pequenas vítimas. Desde então, a entidade registrou 3.600 casos de abusos sexuais – 80% deles praticados por pais e padrastos – dos quais 853 prontuários de crianças atendidas entre dois e nove anos serviram de base aos dois trabalhos. A publicação foi ilustrada por desenhos feitos pelos pacientes, que Graça chamou de “vocabulário ilustrado dos afetos emparedados”. “Os desenhos falam dos lugares, dos sentimentos que atravessam o corpo e os afetos invisíveis, próprios do incesto”, diz a psicanalista.

Na apresentação do livro, Alberto Concha-Eastman, assessor regional da Organização Panamericana da Saúde (OPS) em Washington DC, ligada à Organização Mundial de Saúde (OMS), especialista na área de Violência e Lesões, diz que afetosecretos é, além de um forte chamado sobre o incesto na sociedade brasileira, uma reflexão profunda sobre os terríveis efeitos que provocam nas meninas e meninos essas experiências indesejadas, incompreendidas e dolorosas contra as quais lutam e gritam, no filme e no livro, para que outras crianças não sejam submetidas a tais práticas. “As palavras de dor e tristeza, os chamados que fazem as meninas abusadas aos que lhes devem respeito, carinho e amor filial e de quem esperam orientação, exemplos éticos de comportamento, são um reclamo também à sociedade e aos governos para que façam o que lhes corresponde no sentido de por fim a essas práticas”.

Mais informações para a imprensa com Fábio Bahr e Ivani Cardoso (Lu Fernandes Comunicação e Imprensa) pelo telefone (11) 3814-4600.

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