Lançamento da Barcarolla debate a questão da necessidade e da contingência


Necessidade e contingência na modernidade
Org. Luís César Guimarães Oliva
Editora Barcarolla
296 páginas
R$ 34,00

“Se há uma questão na época moderna que põe em jogo teologia, metafísica, epistemologia, ética e política é sem dúvida a questão da necessidade e da contingência”. Com essa frase, o professor Vittorio Morfino, da Università degli Studi de Milano-Bicocca, na Itália, inicia o prefácio do livro “Necessidade e contingência na modernidade”, organizado pelo professor da USP Luís César Guimarães Oliva e lançado em outubro pela Editora Barcarolla.

A obra reúne a produção recente de um grupo de pesquisadores sediado no departamento de filosofia da USP, sob coordenação de Marilena Chaui. O núcleo foi estruturado inicialmente para estudar Espinosa e mais tarde ampliou seu foco, para discutir a questão da experiência e da razão na formulação da filosofia e da ciência modernas no século 16.

Os artigos reunidos no livro desdobram as seguintes perguntas formuladas a partir da questão da “necessidade e contingência”, explica Oliva: “Tudo é absolutamente necessário e nada pode ser diferente do que é? Nessa caso, a potência das causas determina tudo e não pode ser desfeita, sob o risco de pôr em xeque a racionalidade do real? Ou há uma margem de possibilidade indeterminada que garante o espaço da contingência e do livre arbítrio, sem os quais não há mérito ou culpa? Se o primeiro, como dar conta da moral e da política? Se o segundo, como dar conta da ciência, que se propõe universal e necessária?”

O resultado desses questionamentos é uma série de ensaios que debatem, segundo o organizador, desde a ontologia do necessário em Espinosa – que expulsa do real a contingência e o livre-arbítrio -, à retomada da metafísica do possível por Leibniz, que recupera o que Espinosa havia recusado sem contudo readmitir a indeterminação; dos riscos do soberano diante da instabilidade do campo político, segundo Bodin, ainda no século 16, aos desafios da ciência diante de uma natureza mutável e submetida a um Deus voluntarioso, segundo o ponto de vista da filosofia experimental de Locke, no século 17.

No primeiro bloco de textos, encontram-se os artigos reunidos sobre “Ontologia”: “Espinosa, Da metafísica do contingente à ontologia do necessário”, de Marilena Chaui; “Contingência e existência em Leibniz”, de Luís César Guimarães Oliva; “Notas sobre causalidade e contingência em Leibniz e Pascal”, de Franklin Leopoldo e Silva; “Leibniz, simplicidade e contingência”, de Tessa Moura Lacerda.

Na seqüência, há o bloco relativo à “Ciência”: “Fundamentos metafísico-teológicos na filosofia experimental de R. Boyle e J. Locke: a questão da contingência”, de Luciana Zaterka; “Gramática da língua e gramática da Escritura: Necessidade e contingência na Gramática hebraica espinosana”, Homero Santiago.

No terceiro e último bloco, “A Política”, encontram-se os artigos: “Soberania, necessidade e contingência”, Douglas Ferreira Barros; “A essência da política. Necessidade da democracia no Tratado político de Espinosa”, de Fernando Dias Andrade; “Matéria e história nas luzes francesas”, de Maria das Graças de Souza.

O organizador
Luís César Guimarães Oliva possui doutorado em Filosofia pela Universidade de São Paulo (2002). É professor-doutor da Universidade de São Paulo e membro do Grupo de Estudos Espinosanos da USP. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em História da Filosofia Moderna, atuando principalmente nos seguintes temas: Pascal, Leibniz, Espinosa, século 17, graça e natureza humana.

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