Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo começa dia 22 com a presença de grandes autores nacionais e internacionais
14ª Jornada Nacional de Literatura coloca as redes e mídias digitais em pauta
Encontro em Passo Fundo comemora 30 anos e vai reunir cerca de 135 escritores nacionais e internacionais, em uma grande lona de circo para cinco mil pessoas. Entre os convidados estão Gonçalo M. Tavares, Beatriz Sarlo, Alberto Manguel, Peter Hunt, Edney Silvestre, Maurício de Souza, Elisa Lucinda, Eliane Brum e muitos outros.
Com a mesma sensação de intensidade e fluidez que a leitura de um bom livro proporciona, passaram-se 30 anos de Jornada Nacional de Literatura, o grande encontro de autores nacionais e internacionais que acontece em uma lona de circo para cinco mil pessoas na Universidade de Passo Fundo (UPF), no Rio Grande do Sul. Em clima de celebração, acontece de 22 a 26 de agosto a 14ª Jornada Nacional de Literatura e a 6ª Jornadinha Nacional de Literatura (voltada para as crianças), no Circo da Cultura. Escritores consagrados, artistas e acadêmicos participam da programação, que inclui debates, palestras, seminários, conferências, cursos, espetáculos musicais, teatrais e de dança, oficinas, filmes e exposições. A promoção é da UPF e da Prefeitura de Passo Fundo.
Neste ano, o tema não poderia ser mais pertinente. Com o título de “Leitura entre nós: redes, linguagens, mídias”, os encontros discutirão o impacto das novas plataformas digitais na forma como a literatura se consome, e vem se transformando. E através de todos os pontos que formam essas redes, incluindo os professores, alunos e o público em geral. Entre os autores internacionais convidados estão o premiado português Gonçalo M. Tavares, os argentinos Beatriz Sarlo e Alberto Manguel, o americano Nick Montfort, o britânico Peter Hunt, o tunisiano Pierre Lévy e a britânica Kate Wilson. Já o Brasil é representado por uma série de escritores como Edney Silvestre, Marcia Tiburi, Tatiana Salem Lévy (que apesar de ter nascido em Portugal, cresceu no Brasil), Eliane Brum, Maurício de Sousa, entre muitos outros.
As novas tecnologias estão presentes na Jornada há alguns anos, mas em 2011 elas migram para o centro do debate. A discussão sobre os novos formatos digitais e as suas possibilidades vai nortear os debates, colocando em pauta a questão de que a tecnologia pode ser usada para o estímulo da leitura e da formação de público para a arte. Este, aliás, é o objetivo supremo da Jornada ao longo de seus 30 anos.
“As escolas estão cheias de livros, mas o que falta é que os professores atuem como incentivadores”, comenta a idealizadora e coordenadora das Jornadas, a professora Tania Rösing. “Os jovens estão muito à frente dos professores: eles têm a competência da multiplicidade. Ainda que não leiam tantos livros, leem na internet, enquanto os professores ainda estão fechados em si.” Nessa perspectiva, uma das questões chaves desta edição será a aproximação do professor dos novos formatos e da lógica cadenciada pelo universo digital e repleto de informações, que rodeia a todos.
A Jornada destaca-se entre outros eventos literários do País pelo seu pioneirismo, e pelo caráter educativo. Para promover discussões de alto nível e profundas, acontece a chamada Pré-Jornada, assim como a Pré-Jornadinha. Durante os meses que antecedem o encontro, formam-se grupos de alunos, ou do público em geral, que leem as obras indicadas dos autores que vão participar do encontro. Para fazer o estudo, há questionários e uma sequência de atividades propostas pela comissão que coordena a Pré-Jornada.
Não bastasse a programação intensa durante o encontro, a Jornada promove ainda um impacto significativo em Passo Fundo. Há uma série de projetos que a professora Tania desenvolve na cidade durante o ano todo. No mais, Passo Fundo conquistou um dos melhores índices de leitura do País: cada habitante lê uma média de 6,5 livros por ano, índice comparável ao de países como a França.
A Jornada só tem motivos para comemorar. Quando nasceu em 1981, com a ajuda do escritor e jornalista Josué Guimarães, teve modestos 750 participantes. Na última edição, em 2009, foram 30 mil pessoas no público. Ao longo dos 30 anos de existência, já passaram por lá 804 escritores e pesquisadores, isso sem contar os cerca de 135 autores que embarcam para a discussão neste ano.
“São 30 anos de Jornada. Quando fui pela primeira vez era quase um menino. Agora sou quase velho. A Jornada de Passo Fundo melhorou muito mais do que eu. Expandiu, cresceu, ficou bonita, prestou e continua prestando um grande serviço à literatura, ao Brasil e ao ensino, fundamentalmente”, diz o escritor Ignácio de Loyola Brandão, mediador e coordenador dos debates ao lado dos autores Alcione Araújo e Luciana Savaget.
Imersão na Literatura
A atmosfera da Jornada é o paraíso dos leitores apaixonados, e interessados por literatura. Ela está presente ao longo de todo o dia em todos os debates e discussões que vão da manhã até a noite. E não apenas no Circo da Cultura, a grande lona no campus da Universidade de Passo Fundo, mas também em uma programação paralela que toma diversos espaços da cidade. Além disso, a Jornada promove duas premiações: o Prêmio Passo Fundo Zaffari Bourbon de Literatura, que nesta edição concede R$ 150 mil ao melhor romance publicado em língua portuguesa nos últimos dois anos, e o 12º Concurso Nacional de Contos Josué Guimarães, que premiará o primeiro colocado com R$ 5 mil, e o segundo, com R$ 3 mil. O vencedor deste último concurso também ganha uma viagem de dez dias para Santiago de Compostela, na Espa nha, com a possibilidade de estudar na Universidade de Compostela.
Entre os eventos variados, no Palco de Debates escritores consagrados discutirão temas como “Literatura e arte na era dos bits” (dia 23/8); “Identidade, literatura e cultura na globalização” (24/8); “Diálogo, mídias e convergências” (25/8) e “Formação do leitor contemporâneo” (26/8).
A artista digital, escritora e professora Giselle Beiguelman fala na mesa do dia 23, juntamente com Márcia Tiburi, Mauricio de Sousa, o britânico Peter Hunt e Luisa Geisler. Com tarimba no assunto, Giselle tem se destacado pelas pontes que constrói entre os universos, ligando a arte a plataformas móveis. E refletindo sobre o assunto, como fez em seu ensaio pioneiro premiado pela Fundação Vitae, O Livro depois do Livro, lançado em diferentes versões para a web e em papel. “As principais questões são os novos regimes de leitura que se abrem com os recursos oferecidos pelos novos dispositivos. Eles anunciam a possibilidade de uma leitura que não se faz mais apenas com os olhos, mas também com os ouvidos e as mãos”, comenta. “O relevante, portanto, não é apenas pensar na multiplicidade de plataformas de publicação que existem hoje no co ntexto digital, mas, interrogar como o processo de digitalização alterará nossas concepções de texto, página e leitura.”
Já a crítica, ensaísta e escritora Beatriz Sarlo, uma das principais intelectuais argentinas, observa: “Provavelmente, o maior desafio seja aprender a ler nos meios digitais. Sobretudo, aprender a ler a literatura do passado nas telas do futuro. A leitura digital é um surf, um deslizamento sobre os textos. Até vinte anos atrás, ler significava deter-se; hoje ler significa avançar, passar de uma coisa para outra, pular. Não sabemos ainda quais serão as consequências estéticas dessas mudanças tecnológicas”. Vale a pena acompanhar as discussões da Jornada para ter algumas pistas dessas consequências, bem como da influência da tecnologia na formação de novos leitores.
Patrocinadores
A 14ª Jornada Nacional de Literatura é realizada a partir do empenho de seus idealizadores e parceiros, mas também ao patrocínio de empresas como Petrobras, Banrisul, Grupo CEEE e SESI, que acreditam na missão de formar novos leitores e incentivar a literatura. A Eletrobras, BNDES, OI, Ambev, Braskem, Coca Cola, Fonte Ijuí, Lojas Colombo, RGE, Hospital São Vicente de Paulo, BS BIOS Energia Renovável, Farmácias São João, Banco do Brasil, Grupo Grazziotin, Unimed, Italac, Kozma Diagnóstico por imagem, Hospital da Cidade, Oniz Distribuidora e Azambuja também investem, reconhecendo a importância do encontro.
Ao lado dos patrocinadores, há também os apoiadores da Jornada deste ano: Fundo Nacional de Cultura, OI Futuro, Correios, Sistema Fecomércio-RS, SESCSP, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, Trevisan Construção civil, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul, Câmara Brasileira do Livro, Organização dos Estados Ibero-Americanos e Câmara do Livro e CEXECI (Centro Extremeño de estudios y cooperación con Iberoamérica).
A organização da Jornada contou ainda com a cooperação da UNESCO e financiamento do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação, da Lei de Incentivo à Cultura, do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, dos Ministérios da Educação, da Cultura e do Turismo e do Governo Federal.
Serviço:
O QUE: 14ª Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo
QUANDO: de 22 a 26 de agosto
ONDE: Circo da Cultura, Campus I da Universidade de Passo Fundo, Passo Fundo, Rio Grande do Sul
Redes sociais:
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INFORMAÇÕES
Lu Fernandes Comunicação e Imprensa
Tel: (11) 3814-4600
Atendimento: Ivani Cardoso/ Fabiana De Nadai
Em Passo Fundo: Assessoria de Imprensa UPF
Tel: (54) 3316-8110
Atendimento: Maria Joana Chaise/Cristiane Sossella


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