Fundador do Teatro de Arena conta a história do teatro brasileiro em sua biografia


A vida de José Renato, aluno da primeira turma da EAD e fundador do Teatro de Arena, ilustra o nascimento dos principais grupos de teatro brasileiro. “José Renato – Energia Eterna”, de Hersch Basbaum, percorre o cenário cultural do país desde os anos 1920 e pontua várias montagens históricas.

José Renato – Energia Eterna
Hersch Basbaum
Coleção Aplauso/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo
198 páginas
R$15,00
Download gratuito em aplauso.imprensaoficial.com.br

“Theater in the round” é o nome que Margô Jones, professora norte-americana, dava ao teatro de arena. O paulistano José Renato, estudante de teatro, leu avidamente o livro de Jones, recomendado por Décio de Almeida Prado, e resolveu experimentar. No início dos anos 1950, ele começou a mudar completamente as feições do teatro brasileiro, conquistando rapidamente um lugar ao lado do já consagrado Teatro Brasileiro de Comédia, o TBC. Criado por ele, o Teatro de Arena fez montagens de grande sucesso, e firmou-se com a presença de Augusto Boal, Gianfrancesco Guarnieri, Vianinha e outros ao lado de José Renato. Em “José Renato – Energia Eterna”, de Hersch Basbaum, essa história é contada pelo ponto de vista de um de seus atores principais.

O paulistano José Renato nasceu em 1926, quando as peças ainda eram apresentadas em salas de cine-teatro e os textos pouco retratavam a realidade brasileira – o imigrante, o industrial, o cangaceiro e assim por diante. Em 1943, apenas cinco anos antes do nosso protagonista entrar para a Escola de Arte Dramática de Alfredo Mesquita, a EAD, o grupo carioca Os Comediantes apresentou Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, sob direção do polonês Ziembinski. Começaram as transformações, que José Renato acompanhou e alimentou.

Filho de descendentes de imigrantes italianos, José Renato encontrou o teatro por acaso, em um grupo amador formado por colegas que praticavam esportes com ele no Clube Pinheiros. Na época em que fez a prova para a EAD, já tinha um laboratório de próteses dentárias na Praça da Sé e estava se preparando para ser dentista. Continuou com a atividade enquanto tinha contato com professores de alto nível, como Décio de Almeida Prado, que lecionava História do Teatro, Cacilda Becker, professora de Comédia, e o próprio Alfredo Mesquita, fundador da escola. Na rua Major Diogo, a primeira turma do curso dividia o prédio com o TBC.

Apesar de ter estudado para ser ator, José Renato enveredou para a direção. E isso por culpa de Cacilda Becker, ele diz: “A Cacilda me disse: por que você não dirige? Temos poucos diretores e muitos atores. Você é baixinho, o que limita os papéis, sua voz é horrível, você deveria tentar a direção…”. Brincadeiras, à parte, ele assume que tinha muita admiração pelos diretores italianos que conheceu, como Adolfo Celi, Flaminio Bollini, Luciano Salce e Ruggero Jacobbi. Sua primeira novela foi Helena, adaptação do livro de Machado de Assis que fez em parceria com Ruggero na TV Paulista.

Em 1953 inaugurou o Teatro de Arena, apresentando três peças diferentes ao longo da semana: Rosa dos Ventos, Esta Noite é Nossa e Uma Mulher e Três Palhaços. Desta última, a história de uma bailarina que era disputada por três palhaços do circo, José Renato fala mais detidamente; conta, inclusive, de quando o presidente Café Filho ordenou que um avião da FAB levasse o grupo para o Rio de Janeiro para uma apresentação no Palácio do Catete.

Depois de um período de espetáculos não tão bem sucedidos, o Arena fez uma fusão com o Teatro Paulista do Estudante e ganhou um ar de renovação com a entrada de Gianfrancesco Guarnieri e Vianinha e a contratação de Augusto Boal, que voltava de um período de estudos nos Estados Unidos. Então, montaram Eles Não Usam Black Tie. O ano era de 1958, e ficou marcado na história do teatro brasileiro. “O êxito de Black Tie consolidou, em definitivo, a política por uma dramaturgia que fixasse os problemas nacionais, estimulando todo o grupo a desenvolver um trabalho criador sem paralelo em nosso palco”, escreveu o crítico Sábato Magaldi.

Com o convite para dirigir o teatro Nacional de Comédia, no Rio de Janeiro, em 1962, José Renato foi se afastando do Arena. “Eu praticamente passei pra eles tudo, passando a ser uma espécie de rainha da Inglaterra”, conta. Viajou com diversos espetáculos pelo país, viveu uma temporada no Uruguai, à época do Golpe Militar, e voltou ao Rio em 1966. Em “José Renato – Energia Eterna”, destaca alguns dos espetáculos que considera mais significativos de sua carreira: Não se sabe como, de Pirandello, Eles Não Usam Black Tie, O Círculo de Giz Caucasiano, Rasga Coração – “um dos momentos mais significativos da minha vida” -, Ópera dos Três Vinténs.

Professor de teatro na UNIRIO até 1996, quando completou 70 anos e foi aposentado compulsoriamente, José Renato não deixa de dividir seu conhecimento, reflexões e experiência com o leitor: “Houve um tempo em que o trabalho do diretor não era valorizado. Ele cuidava principalmente das marcações, da movimentação no palco, para que a presença do ator principal ou da atriz principal não fosse atrapalhada. Depois do TBC, o diretor assume-se como tal, interferindo na leitura do texto, na interpretação, no cenário, no vestuário, na iluminação, no som. Ele dá unidade ao espetáculo”, define. Atualmente é diretor-geral do Teatro dos Arcos.

O autor
Hersch Basbaum é escritor, publicitário, crítico literário e teatrólogo.

Mais informações para a imprensa com Maria Fernanda Rodrigues e Ivani Cardoso (Lu Fernandes Comunicação e Imprensa) pelo telefone (11) 3814.4600

Voltar

Comentar

Enviar para amigos





Enviar para amigos

Imprimir

Assine nossa Newsletter

   Cadastrar meu e-mail   Descadastrar meu e-mail

Av. Pedroso de Moraes, 631/conj.111 | São Paulo | Brasil | CEP 05419-000 | 55 11 3814-4600 | escritorio@lufernandes.com.br