Empresa precisa proteger a saúde do executivo para recuperar o investimento feito em sua formação


Luiz Fernando Lobo, diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bucomaxilofacial,
afirma que pressões podem levar o executivo a ter uma série de problemas,
inclusive de saúde bucal, que devem ser prevenidos ou tratados pela empresa.

Se a expectativa de chegar aos 40 é assustadora para boa parte dos profissionais, alcançar a marca das quatro décadas de vida não amedronta, em absoluto, a maioria dos executivos. Fora o inconveniente de ganhar o apelido de “tiozinho”, tornar-se um quarentão significa para o gestor vivenciar a plenitude de suas habilidades, lapidadas durante anos por cursos de pós-graduação, especialização e aperfeiçoamento, além de viagens internacionais.
Um fato, porém, chama a atenção: como manter a longevidade produtiva num país, cuja expectativa de vida é pouco maior que 70 anos? “Além de garantir bons salários, bonificações e participação nos lucros, a empresa precisa investir na qualidade de vida do executivo, a fim de recuperar todo o investimento que fez para ele alcançar o patamar da excelência”, afirma Luiz Fernando Lobo, diretor da Sociedade Brasileira e da Associação Latino-Americana de Cirurgia Bucomaxilofacial.
Esta necessidade se faz premente porque é comum o gestor se envolver tanto no mundo nos negócios, que coloca a própria saúde em segundo lugar. Pesquisa realizada com 1,2 mil executivos pelo Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, revelou que 80% eram sedentários, 68% estavam acima do peso, 50% apresentavam colesterol alto, 30% eram hipertensos e 14% tinham cáries.
Presidente da Comissão de Bucomaxilofaciais do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo, Luiz Fernando Lobo, afirma ser o gestor – mesmo aquele preocupado em manter a boa forma – um alvo fácil de doenças de origem psicológica, por causa da rotina estressante, que o obriga a tomar decisões rápidas e enfrentar muitas pressões, principalmente em épocas de crise.
COMO A TENSÃO PODE LEVAR À DISFUNÇÃO DA ATM
Um dos problemas bucais que podem acometer o executivo é o bruxismo. Ao lado do choro, riso e até do infarto, o famoso ranger dos dentes é uma forma de o organismo responder a uma pressão. Para entender como ele se desenvolve, é preciso saber que, em momentos decisivos, o cérebro humano pode enviar uma mensagem para os músculos da face se contraírem. É o caso do atleta, quando está no limite entre o fracasso e o sucesso dentro de uma Olimpíada.
“Se essa mensagem for enviada, a contração crescerá e os dentes farão pequenos movimentos. O aumento ação dos músculos vai gerar dor na cabeça, que poderá se estender aos músculos do pescoço, do ombro e da coluna vertebral. E ninguém trabalha com dor!”, observa Luiz Fernando Lobo.
Ao procurar um dentista e siga as suas orientações, o gestor poderá reverter esta situação. Caso contrário, a chance de ter mais problemas são grandes. É que na face, há uma articulação, que se movimenta 700 mil vezes por ano, quando falamos, comemos, mastigamos e deglutimos. Com a contração dos maxilares e o ato de apertar os dentes, esses movimentos podem levar a uma alteração desta articulação, conhecida por ATM – Articulação Têmporo-Mandibular, que estará suscetível a um processo degenerativo de desgaste.
Várias são as maneiras de se tratar uma disfunção da ATM: desde a reeducação postural – com exercícios de fisioterapia, fonoterapia e, eventualmente, o uso de placa de mordida – até a reconstrução total por meio de prótese articular.
Luiz Fernando Lobo é o maior especialista brasileiro no implante deste tipo de prótese, por meio de uma técnica desenvolvida pelo norte-americano Peter Quinn, professor-doutor da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, recém-eleito presidente da Sociedade Americana de Cirurgiões da ATM. No dia 31 de março, o brasileiro vai comandar o workshop para 20 profissionais da América Latina “100a Prótese de Reconstrução Total de ATM no Brasil”, com transmissão gratuita pela internet (www.intermedic.com.br) e a participação de Quinn. Após o workshop, os participantes irão visitar as instalações do Hospital Santa Paula, onde são feitas as cirurgias de implante.
Se a empresa contabilizar tudo o que foi investido em seu executivo, pensará em sua longevidade e qualidade de vida. Prevenir e corrigir problemas de saúde bucal, como as disfunções de ATM, deve ser uma das preocupações de uma corporação. “Até para não abrir mão da criatividade e da visão gestora desses profissionais e manter clara a sua proposta de lucratividade”, afirma Luiz Fernando Lobo.

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