Coleção Aplauso lança biografia de Umberto Magnani
COM DEZENAS DE PEÇAS E TRABALHOS EM TELEVISÃO, UMBERTO MAGNANI CONTA SUA TRAJETÓRIA EM BIOGRAFIA DA COLEÇÃO APLAUSO
“Umberto Magnani – Um Rio de Memórias”, de Adélia Nicolete, mostra o ator repleto de boas lembranças de sua vasta carreira no teatro, cinema e televisão. Com bom humor e muitos detalhes, o paulistano de Santa Cruz do Rio Pardo fala de suas principais experiências e reflexões sobre interpretação nesta biografia da Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Agora o ator volta à sua terra neste domingo, 20 de dezembro, às 19h30, para autografar o livro.
Menino de cidade pequena, Umberto Magnani guardou segredo sobre o sonho que tinha, de ser ator, porque em Santa Cruz do Rio Pardo, interior de São Paulo, todos ririam desse delírio. Na cidade, passou a infância ajudando o pai alfaiate e a mãe com o serviço da casa, nadou bastante no rio e foi muito ao cinema. Também começou cedo a trabalhar na Rádio Clube Mirim, primeiro como locutor-mirim, depois como locutor de verdade, quando a voz engrossou. O trabalho tinha ainda o bônus de garantir ingressos para mais filmes nos finais de semana. Essas e outras histórias estão em “Umberto Magnani – Um Rio de Memórias”, escrito por Adélia Nicolete, que a Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, lança em Santa Cruz neste domingo, 20 de dezembro, às 19h30, no Palácio da Cultura Umberto Magnani Neto.
“Sou trezentos, trezentos e cinquenta”. O verso de Mário de Andrade serve perfeitamente para definir Umberto Magnani. Ele trabalhou em diversas produções teatrais, novelas, fez cinema, além de produzir espetáculos, lecionar por 18 anos, dirigir o Serviço Nacional de teatro por 13 anos, e, antes de tudo isso, ter sido contador, ainda no interior paulista. No livro, Adélia Nicolete traça o percurso do artista, que confessa escolher seus projetos pelo “clima das coisas”.
Com o diploma de contador na mão, foi para São Paulo tentar a sorte. Depois de muito tempo ensaiando, inscreveu-se na prova de seleção da Escola de Arte Dramática, a EAD, e passou. A etapa seguinte era enfrentar os corredores: Umberto tinha medo de “pagar mico” diante dos colegas, que já conheciam muito de teatro, e ficava calado. Ainda combinando o trabalho em um banco, para garantir o sustento, com o de ator, participou de Feira Paulista de Opinião, dirigida por Augusto Boal, sua primeira peça depois da escola.
Com um texto primoroso e repleto de bom humor, Nicolete leva o leitor pelos diversos espetáculos de que Magnani fez parte, adornando a narrativa com lembranças detalhadas do ator sobre as montagens das peças e as filmagens do cinema, e colocando suas reflexões sobre atuação, construção de personagem, as diferenças na atuação em TV e no teatro, as reinvenções do ator. “Uma coisa fundamental para o ator é a prontidão. O ator tem que estar em cena sempre pronto para o ataque”.
A ação política combinava-se com a atuação. Umberto Magnani nunca se filiou a nenhum partido, mas disse já ter participado com algumas contribuições. Tirou quatro ou cinco passaportes, dizendo que o anterior tinha sido perdido, para poder dá-los a quem precisasse sair do país; comprou gasolina para construção de coquetel molotov; levou uma criança para sua mãe exilada pela fronteira do Mato Grosso do Sul. “Uma outra forma de fazer política da melhor qualidade é por meio do teatro”, diz, lembrando-se da peça Macbird, uma brincadeira com Macbeth, de Shakespeare, que faz referências à política norte-americana.
Alguns “papas” que contribuíram para sua carreira são homenageados pelo artista, como Ruy Guerra, Walter Avancini e Fauzi Arap, com quem trabalhou em cinema, televisão e teatro. “Fauzi Arap é uma das pessoas mais importantes do teatro brasileiro. Sob todos os pontos de vista: tem integridade, transparência, amor pelo ser humano, compreensão de todas as funções do fazer teatral”, diz.
Ele confessa ter sentido bastante preconceito e medo da televisão. Na novela Mulheres de Areia, achou ter atuado muito mal, pela falta de familiaridade com a câmera, e assustou-se a tal ponto que ficou dez anos sem passar na frente da emissora. Só depois, com os trabalhos em teatro e as premiações, ganhou segurança e voltou a aceitar convites. Participou de muitas novelas: Páginas da Vida, Mulheres Apaixonadas, Por Amor – todas de Manoel Carlos, com quem firmou importante parceria desde Felicidade -, e muitas outras, como Éramos Seis, Cabocla, Mulheres de Areia.
Papéis marcantes houve vários. Guima, da peça Lua de Cetim, lhe deu seu primeiro prêmio Moliére, em 1981. O cego Borromeu, da minissérie Grande Sertão: Veredas também merece destaque. Umberto Magnani conta episódios interessantes da produção de Grande Sertão, quando a equipe viajou para o interior de Minas Gerais. Fala também das histórias que envolveram a filmagem de Kuarup no Alto Xingu, em 1989, quando conheceu de perto a rotina dos índios
Flávio Rangel, certa vez, lhe escreveu um texto sobre a conversa que teve sobre Paulo Autran. Falavam de Magnani. “Esse menino tem uma alegria de representar que já não vejo há muito tempo, comentou Autran. No “rio de memórias” do ator, é surpreendente seu júbilo ao falar de cada experiência e dos ensinamentos que aprendeu e repassou a seus alunos nos 18 anos em que lecionou. “Cada trabalho tem sua história”, ele diz, e de causos sua vida está cheia.
A autora
Adélia Nicolete é mestre em Artes pela ECA – USP e mestranda em História do Teatro e Literatura Dramática. Autora de textos teatrais, roteiros de áudio, cinema e televisão, atua também no magistério de teatro e dramaturgia. Já traçou para a Coleção Aplauso os perfis de Luís Alberto de Abreu e de Sônia Guedes.
Mais informações para a imprensa com Maria Fernanda Rodrigues (Lu Fernandes Escritório de Comunicação) pelo telefone (11) 3814.4600


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