Ciclo de leituras Bernard Shaw no século XXI


Ícone da dramaturgia mundial, George Bernard Shaw é o segundo autor mais encenado na Inglaterra após Shakespeare. Apesar dessa importância, sua extensa obra é pouco conhecida no Brasil, o que motivou a produção do Ciclo de Leituras “Bernard Shaw no Século XXI”, de 09 a 17 de novembro, no Teatro Cultura Inglesa-Pinheiros. Para assinar cada direção, foram convidados três importantes nomes da atual cena teatral paulistana: Márcio Aurélio, Yara de Novaes e Maria Thaís. A quarta leitura fica a cargo de Domingos Nunez, da Cia Ludens, companhia que promove pela terceira vez ciclos em estudos irlandeses e que nesta edição conta com a parceria de Gabriel Fontes Paiva, da Fontes Realizações Artísticas.
As companhias Razões Inversas, Balagan, Ludens e o Grupo 3 de Teatro farão as leituras dramáticas nos dias 09, 10, 16 e 17 de novembro, sempre às 20h30 e com entrada gratuita, no Teatro Cultura Inglesa-Pinheiros – rua Deputado Lacerda Franco, 333, telefone 3814-0100. Em seguida, após uma rápida introdução sobre o tema, alguns dos maiores especialistas em literatura irlandesa no Brasil participarão de debates abertos ao público.
Para o evento, foram escolhidas quatro peças curtas do autor, inéditas no Brasil. “Como Ele Mentiu para o Marido Dela” abrirá o ciclo de leituras no dia 09 pela Cia. Razões Inversas, dirigida por Márcio Aurélio. A debatedora será a presidente da ABEI – Associação Brasileira de Estudos Irlandeses -, Rosalie Rahal Haddad. No dia seguinte será a vez da Cia Ludens, sob direção de Domingos Nunes, promover a leitura de “O Recruta Denis”. Os debates serão comandados pela diretora da ABEI, Beatriz Kopschitz Xavier Bastos.
Com direção de Yara de Novaes, o Grupo 3 de Teatro fará a leitura no dia 16 de “Um Quê de Realidade”. A debatedora será a professora doutora Munira Mutran da USP, membro do conselho da Cultura Inglesa. O ciclo de leitura será encerrado no dia 17 com “A Dama Negra dos Sonetos”, com a Cia Balagan, dirigida por Maria Thaís.
TEXTOS
Surpreendentes, os textos que integram o Ciclo de Leituras de Bernard Shaw são considerados uma espécie de laboratório do estilo e da temática recorrente de sua obra. Datados do começo do século passado até meados de 1930, chamam atenção por estabelecer um diálogo profícuo e instigante com questões importantes nos dias de hoje.

“Como Ele Mentiu para o Marido Dela” (1904) – Esta comédia trata de um dos temas favoritos de Shaw, a moralidade. Certa beldade que trai o marido entra em pânico quando suspeita que ele pode ter descoberto o adultério. No entanto, o confronto entre o marido endinheirado e o amante romântico acaba por tomar um rumo surpreendente. Naturalmente a esposa não está interessada no amante nem o marido na negação dele, pois seu prazer reside exatamente em uma perversão: ele quer que a esposa o traia para que possa exibi-la socialmente como a que todos desejam, mas que só ele consegue sustentar.

“A Dama Negra dos Sonetos” (1910) – Avesso a mistificações e a celebridades, com extrema acidez e ironia Shaw procura nesta peça desmistificar a figura de Shakespeare. Colocando o bardo no centro da ação, ele o retrata como um mulherengo desordeiro que penetra na torre do palácio na calada da noite para se encontrar com uma dama negra, supostamente a mesma que serviu de inspiração para os seus sonetos. Munido de um bloco de notas, o grande dramaturgo parece se servir, de acordo com Shaw, de motivos bastante ordinários tanto para a elaboração de seus textos imortais como para a construção do seu teatro, para o qual pede financiamento para a Rainha Elizabeth. Não apenas nesta peça, mas em muitos outros escritos de Shaw, é possível perceber uma relação de admiração e repúdio pela pessoa e obra de Shakespeare.

“O Recruta Denis” (1915) – Uma das poucas peças de Shaw ambientadas na Irlanda e a única a estrear naquele país, O Recruta Dennis foi escrita a pedido de Yeats, na época à frente do Abbey Theatre, o Teatro Nacional Irlandês, fundado por ele. Um soldado irlandês abandona as trincheiras da Primeira Grande Guerra para se juntar, sem muita convicção, ao grupo de recrutamento que deve enviar novos contingentes para as frentes de batalha. Munido de seu humor peculiar, Shaw discute aqui o ridículo e o absurdo das guerras. Além disso, aborda questões relacionadas ao patriotismo, às ideologias cristãs, à lealdade política e partidária e ainda ao papel e caráter das mães irlandesas na educação dos filhos.

“Um Quê de Realidade” (1927) – Escrita originalmente em 1909, esta comédia foi revisada para publicação em 1926 e só estreou no ano seguinte. Ambientada na Idade Média, trata de um casal pobre e sem escrúpulos que decide atrair um rico libidinoso com a intenção de matá-lo e assim obter dinheiro para o seu casamento. Confusa com a decisão tomada, a esposa procura a ajuda de um velho padre surdo. Shaw aproveita a situação desta peça para questionar o papel da religião em uma sociedade pautada por interesses pouco cristãos, a função do dinheiro e os conseqüentes dilemas éticos, morais e religiosos gerados por essa equação.
BERNARD SHAW
George Bernard Shaw nasceu em Dublin, Irlanda, em 1856. Essencialmente tímido, criou o pseudônimo de G. B. S. para mostrar seu virtuosismo como satirista, crítico, polemizador, dramaturgo e bufão intelectual. Após sua chegada em Londres em 1876, tornou-se um ativista do Socialismo Fabiano e um brilhante orador. Foi crítico de teatro e música, além de ter escrito cinco romances antes do primeiro sucesso como dramaturgo.
Autodidata, atacou violentamente o teatro e a sociedade de seu tempo e acumulou inúmeros fracassos e sucessos com as mais de quarenta peças que escreveu. Entre os seus trabalhos mais conhecidos e celebrados estão “Pigmalião” (1912), que serviu de base para um musical, posteriormente filmado, intitulado “My Fair Lady”; “A Profissão da Senhora Warren” (1894); “Homem e Super-homem” (1903); “Major Bárbara” (1905); “Casa de Orates” (1916) e “Santa Joana” (1924). Além disso, Shaw ganhou um Oscar de melhor roteiro, em 1938, por “Pigmalião” e foi o responsável pela cenografia da produção de sua peça “César e Cleópatra” (1906) para o cinema. Foi também laureado com o Nobel de Literatura em 1926. Shaw morreu em Londres em 1950, com 94 anos de idade.
Informações para a imprensa com Nora Ferreira – Lu Fernandes Escritório de Comunicação – 11 3814-4600

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