Caderno de viagens de Carybé ao Benin terá lançamento em Buenos Aires


Hector Julio Paride Bernabó (Carybé) nasceu na Argentina, mas naturalizou-se brasileiro. Foi desenhista, gravador, pintor, ceramista, escultor, historiador, jornalista, pesquisadore também escritor. Por duas vezes visitou o Benin, antigo Reino do Dahomé, para visitar o amigo Pierre Verger, fotógrafo e etnólogo que estudou em profundidade esse país africano. Dessas viagens, foi recuperado um caderno com manuscrito e desenhos, lançado agora em edição bilíngue (português e espanhol) pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e Museu Afro Brasil.

Impressões de Carybé nas suas visitas ao Benin – 1969 e 1987

Hector Julio Paride Bernabó – Carybé

Imprensa Oficial do Estado de São Paulo / Museu Afro Brasil

80 páginas

R$48,00

www.imprensaoficial.com.br/livraria

Um diário pessoal com desenhos, impressões e confissões de Hector Julio Paride Bernabó, conhecido e rebatizado como Carybé, o mais baiano dos argentinos, restabeleceu a ponte entre Bahia e Benin, separados pelo Atlântico. Mais de 50 desenhos expressivos com anotações manuscritas e preciosas estão reunidos no livro “Impressões de Carybé nas suas visitas ao Benin 1969 e 1987″, editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e Museu Afro Brasil. A edição bilíngue (português e espanhol) chega agora às livrarias argentinas com o lançamento da obra em Buenos Aires no dia 7 de maio, a partir das 19 horas, na Embaixada do Brasil na Argentina, à rua Cerrito, 1350. O lançamento tem o apoio da Câmara Brasileira do Livro, além das editoras e de nossa embaixada.

Com traços rápidos, a ponto de reproduzir os movimentos de suas personagens, Carybé retratou as raízes da Bahia no coração da África em duas viagens que realizou àquele continente para visitar o amigo, o antropólogo e fotógrafo Pierre Verger. Observador dos trejeitos, dos passos, dos movimentos do andar, da postura e do perfil dos negros de Benin, Carybé detalhava singularidades, além das semelhanças que identificou com os negros da Bahia, terra destino daquelesafricanos trazidos como escravos.Mais tarde também terra de origem dos retornados ao Benin e Lagos, onde os escravos libertos do Brasil, provenientes da Bahia, foram chamados de agudás. Vem do Benin, inclusive, muito da cultura negra que se mesclou e se perenizou com a do Brasil.

Nascido Hector Julio Paride Bernabó em 1911, em Lanús, na Argentina, se assumiu como Carybé (peixe de água doce), nome que entendeu mais consoante com seu espírito. Carybé chegou a tocar pandeiro com Carmen Miranda, momento mágico em que, dizem, se embriagou com o Brasil. Ilustrador das principais obras de Jorge Amado (e de Gabriel Garcia Márquez), Carybé também foi pintor, desenhista, gravador, escultor, ceramista e escritor. Aliás, é dele, a tradução para o espanhol, em 1943, de Macunaíma, de Mário de Andrade.

Sobre os desenhos

Em seu caderno de viagem ao Benin, sobre o modo de andar das mulheres, Carybé desenha e anota: “o movimento é quase o da dança em uso em terra de branco”. Repara nas plantações de dendê: “Quilômetros. Foram-se (os) bosques sagrados, templos e fetiches e povoados”. Da mãe sentada ao chão amamentado: “O umbigo era enorme. Não entendo como não estourava quando teve o filho”.

Das celebrações, observa: “(H)ontem, dia 10, quando acompanhava a procissão de Geledê, com ábacos e tambores passamos por uma festa de dança, uma música de canto e tambores e a moçada dançando, um casal ou dois por vez. Era um velório. Velório aqui é festa alegre e os defuntos são enterrados quase sempre dentro de casa, no quarto que ocupavam em vida, se chefes de família”.

Mais informações para a imprensa com Maria Fernanda Rodrigues (Lu Fernandes Escritório de Comunicação) pelo telefone (11) 3814-4600.

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