Aumentam as mortes de crianças por gripe associadas à bactéria resistente a antibiótico nos EUA
Na atual temporada de gripe, o Staphylococcus aureus resistente à meticilina estava presente em mais de 10% das crianças mortas por gripe, das quais foram extraídas amostras para cultura bacteriológica. Embora no Brasil não haja dados sobre o assunto, médicos acreditam que a vacina a contra a gripe é a melhor maneira de se evitar a coinfecção por esta bactéria.
Há cinco anos vem se registrando o aumento de casos de crianças que morreram nos Estados Unidos por gripe associada a infecção causada pela bactéria Staphylococcus aureus – inclusive a do tipo resistente à meticilina e outros antibióticos, responsável pela maior parte das infecções hospitalares no Estados Unidos e Europa. A informação é do norte-americano Frederick Ruben, ex-professor da University of Pittsburgh, que hoje (quinta-feira, 26) proferiu a palestra “Influenza em crianças: impacto da doença e prevenção através da vacinação”, durante a reunião científica do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), realizada em São Paulo.
Em seu último informativo, publicado em 14 de março de 2009, o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos, o CDC, revelou que 40% das crianças que morreram por gripe na atual temporada a doença tiveram algum tipo de infecção associada. Deste total 62,5% eram por Staphylococcus aureus. Entre as infectadas por este microorganismo, quase a metade foi vítima do tipo resistente à meticilina. A proporção de Staphylococcus aureus nessas circunstâncias cresceu de um caso para 47 mortes (2004-2005) para 22 casos para 73 mortes (2006-2007).
“A taxa de crianças previamente saudáveis coinfectadas pela gripe e pela Staphylococcus aureus saltou de 45% na temporada de 2004-2005 para 65% na temporada de 2006-2007″, afirmou o especialista norte-americano. Conhecida como a bactéria que “gosta de hospitais”, a Staphylococcus aureus causa uma variedade de infecções graves na pele, nos olhos, além de meningite, pneumonia, septicemia e choque séptico.
BRASIL
A pediatra Lucia Bricks, Doutora em Medicina pela USP e gerente-médica da Sanofi Pasteur, informou que no Brasil não há dados a respeito da coinfecção Staphylococcus aureus em crianças que morreram por gripe. “Desde 2004, o Sistema de Vigilância de Epidemiológica norte-americano coleta informações sobre mortes ocorridas em crianças, que tiveram exames laboratoriais positivos para a gripe, investigando as condições médicas e as infecções bacterianas existentes na hora da morte. Infelizmente este método de diagnóstico não é feito no Brasil”, explica a médica.
A infectologista Nancy Bellei, professora e coordenadora do Setor de Viroses Respiratórias da Escola Paulista de Medicina/Unifesp, adverte, no entanto, que a falta de dados não descarta a possibilidade de as crianças brasileiras com gripe contraírem a pneumonia por Staphylococcus aureus.
Ambas as médicas esclarecem que muitas mães acreditam estar protegendo seus filhos contra todo o tipo de pneumonia quando vacinam as crianças contra o pneumonococcus. “Isto não verdade, porque esta vacina não protege a criança contra as pneumonias provocadas por outros agentes”, ensina Lucia Bricks. Por isso, ela recomenda a vacinação contra a gripe para todas as crianças maiores de seis meses: “Com esta medida pode-se evitar a coinfecção por outros agentes como o Staphylococcus aureus.”


Voltar
Nenhum Comentário
Nenhum comentário ainda.
Deixe um comentário