A história da louça paulista, em livro da Imprensa Oficial
Focada no período entre 1913 e 1940, obra conta a trajetória de doze fábricas de louças instaladas em São Paulo a partir do início do século XX, período que registrou acelerado avanço da industrialização na Grande São Paulo. Lançamento acontece no dia 27 de junho (domingo), a partir das 16 horas, no Jockey Club, durante a Casa Cor.
Louça Paulista – As fábricas de faiança e porcelana de São Paulo
José Hermes Martins Pereira
Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, Edusp e Museu Paulista
292 págs
R$ 75,00
Com mais de 200 imagens de jarras, pratos, vasos, molheiras, pires e outros objetos, além de fotos raras de indústrias do início do século XX e de documentos, “Louça Paulista – As fábricas de faiança e porcelana de São Paulo” faz um passeio histórico pela produção de louças no estado, a partir da instalação das primeiras indústrias na capital e em cidades do entorno, como Mauá e São Caetano. Escrito por José Hermes Martins Pereira e editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, em parceria com a Edusp e o Museu Paulista da Universidade de São Paulo, o livro será lançado no domingo (27 de junho), às 16 horas, no espaço da Livraria Saraiva elaborado exclusivamente para a Casa Cor, no Jockey Club de São Paulo – Av. Lineu de Paula Machado, 1.075.
A obra resgata a história das principais fábricas produtoras de louças de pó-de-pedra instaladas na cidade de São Paulo, principalmente nos bairros de Vila Prudente, Lapa, Água Branca e Belenzinho, além de Mauá e em São Caetano. O autor atribui a expansão para essas localidades à facilidade de acesso ferroviário, pela São Paulo Railway, e à provável descoberta de jazidas de argila e caulim. O desenvolvimento dessa indústria coincide com a industrialização por que passou a cidade de São Paulo no início do século XX e o crescimento dos bairros operários, com a chegada de mão-de-obra para as diversas fábricas, de ramos variados. No caso das louças, o desafio era a produção de artigos com os diferenciais técnicos e estéticos característicos da porcelana europeia.
A primeira fábrica paulista a produzir louças pó-de-pedra foi a Fábrica de Louças Santa Catharina, em 1913 na Água Branca, em São Paulo. A segunda a surgir foi a Grande, localizada em Mauá (antiga Pilar). Na seqüência, vieram outras, como as Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, a Cerâmica Santa Helena e a Porcelana Mauá. A história de 12 delas, com fotos de suas produções, é contada na obra.
Diretora do Museu Paulista da Universidade de São Paulo, Cecília Helena de Salles Oliveira explica que o livro é resultado de um estudo realizado por José Hermes, entre 2002 e 2003, “um trabalho exaustivo de identificação e documentação de coleções museológicas que agrega informações e, ao mesmo tempo, sugere questionamentos acerca dos nexos entre cultura material, história social e história do trabalho e da indústria”. Hermes fazia parte do Grupo de Estudos de Faianças e Porcelanas, do Serviço de Objetos do Museu Paulista.
Hermes comenta na introdução da obra que a pesquisa concentrou-se na coleta de dados básicos sobre os estabelecimentos fabris envolvidos e suas respectivas produções. Ele deixa claro também a preocupação com os termos empregados para diferenciar o tipo de louça abordado na obra: “Boa parcela das louças que conhecemos é constituída por objetos cerâmicos, notadamente para uso doméstico, feitos a partir da mistura de diferentes minerais não metálicos, que os distingue da louça no sentido mais amplo, a qual se confunde, muitas vezes, com a totalidade dos utensílios de cozinha”.
Segundo o autor, dessa classificação resultam duas classes elementares: louças de barro e louças de pó-de-pedra. As de barro, mais simples, utilizam apenas argila como matéria-prima e exigem menores temperaturas de cocção. Já as de pó-de-pedra – tratadas no livro – envolvem não apenas o beneficiamento prévio de matérias-primas como argila, caulim, quartzo e feldspato, mas também temperaturas mais altas (ente 800 e 1.400 °C), resultando na obtenção das faianças e das porcelanas, respectivamente. As faianças são produtos confeccionados pelo processamento dos mesmos minerais, o que origina uma pasta clara, semelhante à louça de barro, recoberta por um esmalte transparente ou colorido. A porcelana tem um processo de fabricação semelhante à da faiança, mas consiste num material tecnicamente mais elaborado. Sua temperatura de cocção é mais alta, a massa tem ausência de porosidade e há a perfeita fusão entre a massa e o esmalte.
Mais informações para a imprensa com Fábio Bahr e Ivani Cardoso (Lu Fernandes Escritório de Comunicação) pelo telefone (11) 3814.4600


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