Uma burca por amor
Fonte: Gazeta Digital - MT
Livro narra a história real de uma mulher obrigada a se submeter às rígidas leis do Talibã
” (…) Foi surrada brutalmente até a morte por isso (…)”
Leidiane Montfort
Da Redação
O traje não costuma desfilar em passarelas, não conta com desenhos de estilistas consagrados, nem tampouco frequenta editoriais de moda em revistas especializadas. Mas, ainda assim, frequentemente a roupa em questão é alvo de questionamentos em todo o mundo, principalmente em países europeus que querem proibir seu uso. A peça em questão é a burca. E ela é usada como ponto de partida para o romance, baseado em fatos reais, que vendeu mais de 300 mil exemplares Uma Burca por Amor (Editora Planeta), de autoria da jornalista espanhola Reyes Monforte.
Reyes apresentava seu programa de rádio quando recebeu um telefonema: do Afeganistão, outra espanhola, María Galera, pedia ajuda. Com os documentos roubados, ela e o marido, afegão , não conseguiam sair do país e retornar para Londres, onde moravam. Tinha início uma verdadeira saga para fazer com que a história real de uma espanhola inesperadamente presa no país de origem do marido. Em meio às inúmeras e pesadas imposições feitas pelo Talibã, a adaptação ao traje feminino parece ser a mais branda de todas as outras adversidades.
Sofrimento real – María saiu da Espanha e se mudou para Londres, onde se apaixonou pelo muçulmano Nasrad, de origem afegã. Em pouco tempo casaram-se e Nasrad precisou viajar para o Afeganistão, em razão de um problema de saúde do pai. Grávida, ela acompanhou o marido na viagem, sem imaginar as situações que teria de suportar. Obrigada a usar
Em um dos trechos do livro está um fato observado pela protagonista que fazem com que termos como chocante, absurdo e cruel pareçam fracos diante da realidade assustadora:
“A mulher estava em um dos pontos de venda da praça pública. Saíra de sua casa em companhia de seus dois filhos pequenos, com não mais de dez anos… Enquanto estava fazendo a compra do dia, uma rajada de vento descobrira parcialmente uma de suas mãos, deixando-a minimamente exposta. Antes que o tecido da burca, levado de novo pelo vento, cobrisse até o último centímetro de sua pele, dois talibãs surgiram diante dela. Foi surrada brutalmente até a morte diante do olhar atento de seus dois fihos, a quem a surpresa e a incredulidade pelo que estavam fazendo com sua mãe impediram qualquer reação, e das demais pessoas ali reunidas, que se limitavam a observar”.
O sucesso do livro rendeu uma série para a tv espanhola, Un burka por amor, gerando reflexões sobre a situação feminina frente ao regime Talibã e à luta pela liberdade. Preconceito, indignação e choque: as dificuldades se multiplicam e parece cada vez mais distante, para o casal, a possibilidade de deixar o país e voltar a ter uma vida normal.
A burca- Símbolo de repressão e opressão às mulheres ou traje religioso e respeitoso? As opiniões se dividem em relação ao uso da burca. Diversos países da Europa tem iniciado processos para impedir que mulheres usem essas peças em público. A discussão em parlamentos europeus é se o preceito ocidental da liberdade individual inclui o de mulheres fechadas dentro de uma túnica, que impede mesmo sua identificação. E ainda: se a mulher, como que embalada com um pacote, assim se veste por convicção própria ou se a isso foi obrigada pelo marido religioso ciumento ou pelo pai zeloso.
De tecido não transarente, o traje cobre o corpo desde o alto da cabeça aos pés. Como a mulher precisa respirar, existem uns furinhos à altura da boca e do nariz. E como precisa enxergar por onde anda, existe uma abertura retangular, longa como a distância entre os olhos e larga o suficiente para ultrapassar 2 centímetros.
Autora – Reyes Monforte é jornalista e escritora. Sua vida profissional foi marcada pelo trabalho na rádio espanhola, onde durante quinze ano s dirigiu e apresentou vários programas, como Pais de Locos e Cinco Lunas. Uma burca por amor foi um dos maiores sucessos editoriais no ano de seu lançamento na Espanha, onde ela também já publicou: La rosa escondida e Amor cruel.


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