Tratamento de Dilma contra a pneumonia deverá durar dez dias


Fonte: O Globo - RJ

Apesar da recomendação de repouso, presidente faz reunião com dois ministros

Tatiana Farah e Jaqueline Falcão

SÃO PAULO e BRASÍLIA. A presidente Dilma Rousseff voltou para casa ontem em Brasília, mas continuará o tratamento contra a pneumonia sob orientação dos médicos paulistas do Hospital Sírio-Libanês por mais dez dias. Mas, apesar da recomendação médica para repousar pelo menos ontem, se sentindo mais disposta, ela decidiu trabalhar à tarde e chamou para uma reunião sobre energia, no Alvorada, o ministro Edison Lobão (Minas e Energia), o secretário-executivo da pasta, Márcio Zimmermman, e o diretor-geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Nelson Hubner. À noite, a presidente recebeu o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, para discutir a concessão de aeroportos para a iniciativa privada.

Desde o fim de semana, a presidente toma um combinado de dois antibióticos para combater a d oença que atingiu seu pulmão esquerdo. Os médicos ainda não detectaram se o mal foi causado por uma bactéria habitual ou atípica. Foram feitos dois tipos de exames para identificar a bactéria: hemocultura, para detecção de bactéria comum, e sorologia para pesquisar os anticorpos em caso de bactéria atípica. Os resultados ainda não ficaram prontos.

— A diferença entre os tipos de bactéria não significa maior ou menor gravidade da pneumonia. A presidente está muito bem e vai continuar o tratamento em Brasília. Os próximos exames serão feitos por lá — explicou ontem o infectologista David Uip, um dos médicos de Dilma no Hospital Sírio Libanês.

Médicos recomendam ritmo mais leve de trabalho

Uip e o cardiologista Roberto Kalil, médico particular da presidente, foram ontem de manhã ao hotel onde Dilma estava hospedada em São Paulo para nova avaliação. Depois da consulta médica, a presidente foi liberada para voltar para Brasília e embarcou por volta das 10h55.

— Recomendamos à presidente diminuir o ritmo de trabalho nos próximos dias. Ela disse que vai manter a agenda, mas vai tentar baixar o ritmo.

Uip descartou eventual ligação da pneumonia com a vacina contra o vírus da gripe, recebida por Dilma há uma semana. Ele também negou que a presidente tenha vindo da viagem à China com gripe, causada pelo H1N1:

— Não há nenhuma relação da doença com a vacina. Na vacina, o vírus está morto, não causa nada. E (uma evolução do) vírus H1N1 com certeza não é — disse o médico, explicando que a gripe suína causa problemas nas vias respiratórias superiores, o que não ocorreu com Dilma: — Investigamos se a bactéria é habitual ou atípica e, por isso, o uso de dois antibióticos.

Uip descartou também qualquer ligação da pneumonia com o câncer linfático enfrentado por Dilma.

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