SES contabiliza 68 suspeitas de sarampo, reúne profissionais e anuncia ‘operação limpeza’


Fonte: Paraíba Online - PB

Da Redação com Ascom

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) contabilizou, até esta quarta-feira (29), 68 casos notificados de suspeita de sarampo, na Paraíba. Destes, 13 foram confirmados, 33 descartados e 22 continuam em investigação. Por causa do surto da doença, a SES reuniu profissionais da saúde para tirar dúvidas sobre a conduta que deve ser adotada diante de novas suspeitas.

O Gabinete de Avaliação das Ações contra o Sarampo, por sua vez, decidiu que os municípios com casos da doença confirmados deverão realizar ‘operações limpeza’, não mais localizadas, mas que cubram todas as áreas. Essas varreduras deverão acontecer em João Pessoa, Bayeux e Santa Rita, já a partir da próxima semana.

A reunião desta quarta-feira foi aberta pela gerente de Vigilância em Saúde da SES, Cleane Toscano. “Estamos reunidos para nivelar conhecimentos e esperamos sair daqui mais alertas, mais vigilantes para essa situação. Até o momento, temos a confirmação de 11 casos em João Pessoa, um em Santa Rita e um em Bayeux, sendo que todos eles tiveram a Capital como fonte de infecção”, disse.

Após a apresentação da situação epidemiológica do sarampo da Paraíba e dos protocolos de vigilância e imunização, foi aberta uma discussão sobre os temas e vários profissionais expuseram dúvidas, principalmente sobre vacinação.

A representante do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Walquíria Teles, também participou do encontro.

“Precisamos estar alertas e correr mais rápido do que o sarampo, que é uma doença de grande virulência. O poder do sarampo não pode ser subestimado. A vacinação é o meio mais eficaz de evitar a doença. Por isso, hoje, estamos centrando esforços na atualização da vacinação seletiva. Orientamos a população que contribua para evitar a disseminação do vírus, se protegendo e nos comunicando os casos suspeitos, para que as medidas de controle sejam tomadas e m tempo oportuno”, afirmou.

Doença grave – “O sarampo é um doença grave e considerada uma emergência em saúde pública de interesse internacional. Entre 1964 e 1971, o sarampo era a principal causa de mortes de crianças entre 1 e 4 anos de idade, segundo estudo da Opas. Na década de 70, o sarampo matava 5% dos infectados. Na Paraíba, todos os casos confirmados até agora evoluíram para a cura. Felizmente, o sarampo hoje não está matando, porque não vivemos uma epidemia”, disse a gerente de Resposta Rápida da SES, Diana Pinto.

Participaram da reunião, representantes da Sociedade de Infectologia, da Sociedade de Pediatria, do Conselho Regional de Medicina (CRM), das agências Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa) e Nacional (Anvisa), do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), da Secretaria Municipal de Saúde e de hospitais da rede estadual de saúde.

Das 68 notificações, 56 são de João Pessoa, uma de Bayeux, duas de Belém, duas de Cabedelo, uma do Conde, dua s de Cuité, duas de Santa Rita, uma de Juripiranga, e uma de Coremas.

Em João Pessoa, os casos suspeitos estão disseminados em vários bairros, a exemplo de Manaíra, Aeroclube, Cidade Universitária, Geisel, Jardim Oceania, Miramar, José Américo, Brisamar, Valentina, Mussumagro, Bessa, 13 de Maio, Alto do Mateus, Cristo, Torre, Mangabeira, Mussumagro, Boa Esperança e Jardim Planalto.

Estratégia de Imunização – Às 10h desta quinta-feira (30), o coordenador estadual de Imunização, Walter Albuquerque, reunirá os coordenadores de Imunização das 12 gerências regionais de saúde, para reforçar a necessidade da vacinação das pessoas suscetíveis.

“Recomendamos o início imediato de ‘operações limpeza’ na Capital, em Bayeux e Santa Rita e estamos orientando que os demais municípios intensifiquem a vacinação de rotina, para aumentar a cobertura vacinal e evitar que os casos se disseminem ainda mais. Os coordenadores das 12 gerências vão acompanhar esse trabalho, principalme nte no Interior”, disse.

O cronograma das ‘operações limpeza’ estão sendo definidos pelos municípios, com o apoio do Ministério da Saúde e da SES. A estratégia é vacinar a população suscetível, com idades entre 1 e 49 anos, em duas semanas, como forma de impedir a disseminação do vírus.

Até agora, todos os casos confirmados no Estado estão sendo considerados importados, pois o vírus causador é o B3, que circula na África do Sul. Diante disso, os casos identificados no País, segundo o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, não oferecem riscos ao plano de eliminação do sarampo.

Por isso, o Brasil foi o primeiro País a entregar o relatório solicitando o certificado de eliminação da circulação do vírus autóctone do sarampo, junto à Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), durante a 50ª Reunião do Conselho Diretor da Opas, este mês.

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