Programa de concertos da Mimo começa hoje nas principais igrejas de Olinda e faz homenagem ao compositor e solista Wagner Tiso
Fonte: Diário de Pernambuco - PE
Programa de concertos da Mimo começa hoje nas principais igrejas de Olinda e faz homenagem ao compositor e solista Wagner Tiso
Michelle de Assumpção
michelleassumpcao.pe@dabr.com.br
“Estudar e fazer música em grupo é um exercício de cidadania. Para tocar com outras pessoas é preciso aprender a dividir, a ouvir o outro, ceder nos próprios pontos de vista e respeitar os alheios e, principalmente, querer produzir coletivamente”. A fala do compositor, arranjador, orquestrador, solista e maestro Wagner Tiso explica o fato dele ter sido escolhido neste ano para ser o artista homenageado da Mostra Instrumental de Música de Olinda. Afinal, mais que uma agenda de grandes concertos, a Mimo tem sido vista também como plataforma de projeção de jovens no cenário da música instrumental. Tem crescido no tamanho e na procura por sua etapa educativa, onde estudantes aprendem com mestres da música nacional e internacional, através de programas de master classes, workshops e oficinas de orquestra e regência.
Artista lança livro Wagner Tiso – Som, imagem, ação, da coleção Aplauso, na Livraria Cultura Foto: MIMO/Divulgação A Mimo começa hoje, com concertos pelas principais igrejas do Sítio Histórico de Olinda. Também crescem suas apresentações por igrejas do Recifee de João Pessoa (confira programação completa no site www.mimo.art.br). Tiso participa de uma série de atividades. No primeiro dia da Mimo participa no Recife do lançamento do livro Wagner Tiso – Som, imagem, ação, da coleção Aplauso, a partir de depoimento colhido pela jornalista Beatriz Coelho Silva, a Totó. Será a partir das 17h, na Livraria Cultura. No livro, escrito em primeira pessoa, o músico fala de sua infância no interior de Minas, da trajetória ao lado de Milton Nascimento (amigo de infância), e das mais de 20 trilhas sonoras para cinema, teatro e televisão que fez desde 1982, quando estreou compondo a música do documentário Jango, de Sílvio Tendler.
Em entrevista ao Diario, por telefone, Wagner Tiso diz que a Mimo é evento da maior importância, “tanto social quanto musicalmente”. Durante o festival, o compositor-residente da Mimo irá tocar ao lado de Victor Biglione e Marcio Malard, recebendo ainda, o grupo de cellos Brasil Ensemble e a Orquestra Mimo, que neste ano ensaiará para acompanhá-lo nasua Suíte sinfônica Cenas Brasileiras. O concerto será no dia 6, às 20h30, na Igreja da Sé. Wagner, ao piano, será o solista na montagem da suíte que terá a regência de Guilherme Bernstein. Os músicos da orquestra serão os alunos que se inscreveram nas Oficinas de Formação de Orquestra. Wagner conta que não é muito do seu feitio a função de “professor”, “mas às vezes me convidam. Dou entrevista para os alunos”, conta.
A escolha de Tiso como homenageado da Mimo é mais que um reconhecimento de uma carreira repleta de atividades musicais as mais variadas. Descendente de ciganos do Leste Europeu, mineiro de Três Pontas (onde nasceu em 1945), Tiso traz a música na genética e aprendeu desde criança a tocar instrumentos e fazer música. Seu sucesso na carreira vem de muitos trabalhos, realizados sobretudo a partir dos anos 1960, quando mudou-se para o Rio, onde fez parte do grupo de Paulo Moura e foi arranjador de Maysa, dois artistas considerados por Tiso como alguns dos projetistas de sua carreira. Tiso é, por isso, um exemplo para os músicos mais jovens.
O reconhecimento de hoje é fruto de uma mescla de talento, com dedicação, trabalho, articulação e carreira bem produzida e planejada. “É uma coisa difícil (dizer a um músico como agir para ser bem sucedido quando se tem vários projetos musicais). Cada pessoa foi criada de um jeito. O que eu posso dizer é que se tem amor por alguma coisa, temos que lutar até o fim. A produção é muito difícil, alugava lugares para ficar até engrenar. Se você gosta disso, vai. Mas não tem receita”.


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