Paixão e trincheira
Fonte: Plural - SC
Florianópolis – Escritora, jornalista, militante política e mulher de teatro, difícil encontrar alguém que nunca tenha ouvido falar dela. Para conhecer com detalhes a trajetória da musa do modernismo brasileiro, chega às livrarias “Viva Pagu – Fotobiografia de Patrícia Galvão” (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo Editora Unisanta). O livro marca os cem anos de nascimento de Pagu (1910 – 1962), cujo lançamento está inserido em um conjunto de iniciativas no eixo Rio-São Paulo que põem o foco na sua vida por meio do cinema, oficinas, homenagens, mesas-redondas exposição. A obra, de Lúcia Maria Teixeira Furlani e do filho de Pagu, Geraldo Galvão Ferraz, conta com documentos reunidos durante cerca de 20 anos. O livro tem fotos, desenhos, cartas inéditas textos. Entre eles estão “Microcosmo”, que a militante escreveu na prisão em 1939, e duas peças teatrais inéditas: “Parque Industrial”, baseada no romance homônimo publicado em 1933, e “Fuga e Variações”, de 1952. Para a autora, a personagem é típica de um tempo de grandes paixões. “Ela documentou seu próprio cotidiano, marcado por uma busca constante. A fotobiografia recupera as oscilações de uma vida tumultuada, contraditória e destaca a intensidade com que ela abraçou as causas. Ainda é tudo muito atual, seus questionamentos, sua busca. O livro demonstra que sua vida valeu a pena”, avalia Lúcia Maria. No livro, a vida de Pagu é apresentada em três blocos. O primeiro fala das origens da família e vai até os 18 anos, quando ela conheceu o poeta modernista Raul Bopp, que a a presentoua Oswald de Andrade. O segundo bloco começa com o início da relação com Oswald, com quem teve um filho, Rudá, em 1930, e vai até sua libertação, em 1940, debilitada depois de quase cinco anos em presídios nos quais sofreu torturas por sua militância comunista. Primeira mulher presa no Brasil por motivos políticos, Pagu visitou a China, o Japão, a União Soviética e passou uma temporada em Paris, onde também foi detida. Os últimos 22 anos da vida de Pagu são apresentados no terceiro bloco. Neste período, a militância política cedeu espaço à cultural. Pagu casou-se com Geraldo Ferraz e ambos trabalharam em jornais de São Paulo, Rio de Janeiro e Santos.


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