Pagu. Você vai querer ver de perto


Patrícia Galvão viveu seus melhores dias em Santos. E isso não é pouco, para uma mulher que deu a volta ao mundo, que participou da coroação de PuYi (o último imperador da China), que estudou com JeanPaul Sartre em Paris. E, jornalista de alma como era, tinha o hábito de documentar todos os episódios de sua vida. Esses documentos na forma de escritos, fotografias, desenhos e cartas contam de forma muito completa a vida desta mulher única, transgressora, corajosa e lutadora. Uma parte desses documentos, que retrata a vida de Pagu em Santos, está na mostra Santos e Pagu, que ocupará o Museu do Café, a partir de amanhã. A mostra relaciona a obra e a vida de Pagu com as histórias vividas por ela em Santos. A curadora da Mostra, Lúcia Maria Teixeira Furlani, que é presidente do Centro de Estudos Pagu Unisanta, reuniu fotos, imagens e documentos inéditos, que integram, também, a fotobiografia Viva Pagu, escrito pela própria Lúcia em parceria com o filho de Pagu, Geraldo Galvão Ferraz. A exposição (e o livro, que sai pela Editora Unisanta e Imprensa Oficial do Estado) é fruto de mais de 22 anos de pesquisas de Lúcia sobre a vida da escritora e jornalista. Os visitantes poderão conhecer os vários lados dessa mulher que agitou a vida cultural brasileira e, especialmente, a santista. A moça é mostrada em seus vários (e apaixonados) momentos: musa da terceira geração do Modernismo, política militante, dissidente, jornalista, romancista, desenhista e poetisa, a precursora de modas, a incentivadora da cultura. “Asdiversas personasde Pagu, inovadoras e transgressoras, servem de travessia para a descoberta de diferentes paixões e do que faz a vida valer a pena”, ressalta Lúcia.

SAGRADO OCULTO

Além dos documentos oficiais, a mostra no Museu do Café inclui, ainda, a exposição Olhos de Fazer Doer O Sagrado Oculto. É assinada por 27 artistas da região, sob a curadoria do artista plástico Gilson de Melo Barros. Ele explica a motivação da mostra. “Para celebrar esta mulher plural, os artistas recolheram-se às palavras, tomando-a como musa inconteste, a partir da leitura de recortes detextos coletados de declarações pontuais”. Isso tudo se reinventou em tintas, colagens, recortes, fios eespelhos reveladores. A mostra ocupa o Museu do Café durante o mesmo período da exposição Santos e Pagu. Os ingressos para a exposição, que fica até 18 de julho no local, custam R$ 5,00 e as bilheterias funcionam até 16h15. O Museu do Café é ligado à Secretaria Estadual de Cultura. Funciona de segunda a sábado das 9 às 17 horas e aos domingos das 10 às 17 horas. Estudantes e pessoas acima dos 60 anos pagam meia entrada. O Museu fica na Rua XV de Novembro, 95, Centro.

Quem seria Pagu na visão da geração Ipod, que nasceu quando nem ditadura, mais, existia por aqui e que passou toda a vida sob uma liberdade ­ inclusive de comportamento ­ nunca provada antes? Como eles enxergam o espírito transgressor de Patrícia Galvão e sua luta por liberdade em um período em que isso era difícil de conquistar? A questão pode ser respondida na exposição Memórias da Pele, que ocupa até a próxima sexta-feira o pátio do Bloco M da Unisanta. Os alunos da Universidade Santa Cecília apresentam 50 trabalhos produzidos a partir da técnica ensamblagem (informações plásticas contidas em caixas vitrines). Participam da mostra acadêmicos dos cursos de Artes Visuais, Arquitetura e Urbanismo, Design de Interiores e Multimídias, sob orientação do professor e artista plástico Gilson de Melo Barros. O processo de criação das obras foi desenvolvido a partir da observação das técnicas utilizadas por artistas pertencentes às vanguardas do século 20, conectando às expressões do movimento Modernista brasileiro. Nesse contexto se insere a participação da escritora e ativista Patrícia Galvão. O coordenador da exposição, Gilson de Melo Barros, ressalta a importância tanto de Pagu como personagem histórica quanto da homenagem. “Vale lembrar que Patrícia Galvão, Pagu, como ficou mais conhecida, além de musa modernista, notável jornalista e dínamo do movimento teatral santista em seu momento germinal, construiu seu mundo sem simulação”. Ele lista alguns dos atributos que tornaram Patrícia Galvão na imortal Pagu. “Íntegra, decidida, ativa militante, personalíssima em seu comportamento, mas também a dor da ausência, o peso das torturas, a cor das desilusões, a bala na agulha e o mar revolto. Por trás da rima da canção, silêncios e contramão. Sentimentos como esses inspiraram os trabalhos”. A exposição tem entrada franca e fica na Rua Oswaldo Cruz, 277, no Boqueirão.

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