Odontologia abre-se a técnicos


Fonte: O Fluminense - RJ

O 28o Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo (Ciosp), o maior evento de Odontologia da América Latina, que acontecerá neste mês de janeiro, ampliou o número de palestras de atualização, voltadas só a auxiliares e técnicos de saúde bucal, que devem atrair 1,5 mil participantes.

O aumento ocorre em função da regulamentação dessas profissões, assinada em 24 de dezembro de 2008, pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva. A Lei n° 11.889/2008 teve efeito quase imediato. Em menos de um ano, o contingente de alunos dos cursos de formação ministrados pela Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas (APCD), por exemplo, para essas profissões, praticamente dobrou: saltou de 86 para os atuais 166.

Para os profissionais do setor, a sanção presidencial apenas regulamentou uma prática conhecida já no século 19.

“No Brasil, desde 1910 há registros das atividades dos enfermeiros odontológicos”, explica a professora Cristiane Saes Lobas, coordenadora geral do Centro Técnico da APCD.

De acordo com o Conselho Federal de Odontologia, hoje existem 73.976 auxiliares e 9.554 técnicos de saúde bucal. Pela lei, esses dois profissionais têm sempre de trabalhar sob a supervisão de um cirurgião-dentista. O auxiliar de saúde bucal fornece os instrumentos ao dentista durante consultas e cirurgias, manipula materiais, cuida da limpeza e assepsia do ambiente, processa radiografias e passa informações ao paciente sobre prevenção de doenças bucais. Só após se formar como auxiliar é possível fazer o curso de técnico de saúde bucal, cujo raio de ação é mais amplo.

Cabe ao técnico, dentre outras funções, remover suturas, trabalhar em hospitais, na administração de uma clínica, supervisionar os auxiliares, realizar radiografias e fotografias intrabucais.

Especialização – Sinalizando a perspectiva de ampliação desse campo de trabalho, já existem dois cursos de especialização para os técnicos: Odontologia Hospitalar e Radiologia Odontológica.

A regulamentação trouxe, principalmente para o técnico de saúde bucal, um novo campo de trabalho: o hospital. Neste ambiente, ele cuida da higiene e assepsia do paciente internado na Unidade de Terapia Intensiva-UTI (para boca e prótese) e treina o paciente com problemas de mobilidade a fazer sua escovação, entre outras atribuições.

Outra frente de trabalho para auxiliares e técnicos é o Programa de Saúde da Família, do Ministério da Saúde. O programa inclui equipes de saúde bucal, que são integradas por esses profissionais. Hoje existem 18 mil equipes e, para 2010, o ministério quer aumentar esse número em aproximadamente 22%, chegando-se a 22 mil equipes.

A APCD é uma das entidades com cursos de formação para auxiliares e técnicos de saúde bucal. Para isto, o candidato precisa ter o ensino médico completo. O curso para auxiliar tem 600 horas/aula de duração, que é cumprido em média de nove meses, sendo 30% de aulas práticas.

Já o curso para técnico tem a mesma carga horária e duração, mas 70% de aulas práticas. Em ambos, o estágio já está incluído e representa 10% do curso.

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