Música absoluta, gênio absoluto


Fonte: Folha On-Line - SP

Nenhum comentário sobre o lugar de Beethoven na história da música pode soar exagerado: ele foi não apenas o maior compositor de todos os tempos, mas o maior gênio dentre todas as formas de arte.

Se considerarmos que outras modalidades de expressão (filosofia, ciência, política) podem ser superadas pela evolução do saber ou relativizadas pela história, só resta definir Beethoven como gênio absoluto da espécie humana.

Exagero? A gravação da integral de seus cinco “Concertos para Piano e Orquestra” pelo britânico Paul Lewis, com a Orquestra Sinfônica da BBC, sob regência de Jiri Belohlavek, nos lembra dessa verdade tão evidente quanto os axiomas da matemática.

Curiosamente, o concerto para piano é um dos poucos gêneros em que Beethoven encontra rival à altura (Mozart), algo que ninguém ousaria dizer sobre suas sinfonias e sonatas ou sobre seus quartetos de corda.

E é justamente em diálogo com os 27 concertos do compositor austríaco que ele escreveu suas duas primeiras peças para a formação, ainda dentro de um senso de equilíbrio clássico no qual, todavia, já se ouve a textura inconfundível das cordas beethovenianas.

A sonoridade límpida e precisa de Lewis (que se apresenta no próximo dia 21 com a Osesp) torna mais eloquente a estrutura de réplicas que se estabelece entre orquestra e solista no “Concerto para Piano n. 3″ e enfatiza a fuga inoculada no movimento final.

Exaltação heroica, austeridade formal e meditação. Música absoluta, inconcebível antes de Beethoven.

CONEXÕES

DISCO
“BEETHOVEN: COMPLETE PIANO CONCERTOS” **
ARTISTA: Paul Lewis
GRAVADORA: Harmonia Mundi (R$ 148,80, 3 CDs)

LIVRO
“BEETHOVEN” *
Wagner, criador da ideia da “obra de arte total”, analisa o papel de Beethoven como fundador da modernidade.
AUTOR: Richard Wagner
TRADUÇÃO: Anna Hartmann Cavalcanti
EDITORA: Zahar (2010, 104 págs., R$ 29)

FILME
“MINHA AMADA IMORTAL” **
Fantasia biográfica sobre a suposta “amada imortal” de Beethoven (cuja única e intransigente musa foi a música), tem como ponto forte a interpretação de Gary Oldman.
DIREÇÃO: Bernard Rose
DISTRIBUIÇÃO: Europa (1994, R$ 19,90)

LIVRO
“BORIS KOSSOY FOTÓGRAFO” **
Boris Kossoy (Cosac Naify/Imprensa Oficial/ Pinacoteca do Estado, 216 págs., R$ 69)
Um dos mais importantes pesquisadores da história da fotografia no Brasil, Boris Kossoy apresenta neste livro aqui sua própria produção, que inclui registros de viagem e “cartões antipostais” que flagram banalidade e desolação no cotidiano de cidades brasileiras. Nas séries “Cenas de New York” e “Viagem pelo Fantástico”, a contiguidade de manequins em vitrines ou terrenos baldios e de pessoas fantasiadas em lugares insólitos cria um enredo sinistro de seres inanimados.

Voltar

Comentar

Enviar para amigos





Enviar para amigos

Imprimir

Assine nossa Newsletter

   Cadastrar meu e-mail   Descadastrar meu e-mail

Av. Pedroso de Moraes, 631/conj.111 | São Paulo | Brasil | CEP 05419-000 | 55 11 3814-4600 | escritorio@lufernandes.com.br