Morte reacende alerta para o H1N1


Fonte: Zero Hora - RS

Mulher de Anta Gorda é a primeira vítima da gripe A no Estado desde 2010, e especialistas recomendam retomada de cuidados

Com a confirmação da primeira morte neste ano causada pelo vírus H1N1 no país, o Rio Grande do Sul volta a ficar em alerta para a doença. Embora as autoridades considerem o caso isolado e assegurem que, por enquanto, é cedo para se cogitar uma nova epidemia, especialistas recomendam que a população redobre os cuidados em relação à gripe A.

A primeira vítima de 2011 do Influenza A – que em 2009 causou a morte de 297 pessoas no Estado –, foi uma mulher de 48 anos, moradora de Anta Gorda, no Vale do Taquari. Ela teve os primeiros sintomas no final de maio e morreu na segunda-feira (leia texto abaixo), em Três Passos.

Neste ano, a Secretaria da Saúde do Estado recebeu 87 notificações de casos suspeitos da doença – além do óbito, outros dois casos foram confirmados em São Gabriel e Camaquã. Apesar da morte, a secretaria afirma que a situação está sob controle no Estado até o momento.

– Por enquanto estamos monitorando os casos de hospitalização por infecção respiratória. Mas não há motivos para pânico – diz o secretário estadual da Saúde, Ciro Simoni.

Conforme o secretário, todos os municípios gaúchos contam com medicamento antiviral. A vítima da gripe A não foi imunizada contra a doença, pois não estava incluída no grupo de risco da campanha de vacinação – que imunizou crianças de seis meses a dois anos e pessoas acima dos 60 anos. Mesmo assim, Simoni ainda não vê necessidade de estender a imunização para outras faixas etárias:

– O que iremos fazer é oferecer a vacina para casos que apresentarem risco, como doenças crônicas respiratórias. Com orientação médica, essas pessoas poderão buscar a vacina nos postos de saúde.

O governo estadual recebeu 1,9 milhão de doses para a campanha de vacinação deste ano. Com a imunização de quase 80% do gru po considerado de risco, foram distribuídas 1,3 milhão de doses até agora.

Vacina leva cerca de duas semanas para fazer efeito

Conforme a chefe da Vigilância Epidemiológica do Estado, Marilina Bercini, o vírus que causou a morte da moradora de Anta Gorda é o mesmo identificado em 2009. No ano passado, quando a população inteira foi imunizada, não houve registro da doença.

– O vírus diminuiu a circulação, mas não desapareceu no mundo, continuou circulando em outros locais. No ano passado, não tivemos casos, mas era previsto que pudesse retornar – disse Marilina.

Para o chefe da unidade de infectologia do Hospital de Clínicas, Luciano Goldani, o caso serve de alerta para a retomada de cuidados básicos: como lavar as mãos, por exemplo. Quanto à imunização, o especialista destaca que ela é imprescindível para os grupos de risco da faixa etária e indicada para pessoas que têm doenças crônicas pulmonares ou cardiopáticas.

O infectologista Ricardo Ari el Zimerman explica que a vacina demora cerca de duas semanas para começar a fazer efeito.

– Em 2009 o vírus era totalmente novo, por isso acabou fazendo tanto estrago – disse, reforçando que, mesmo assim, a população deve manter os cuidados popularizados na época.

joana.colussi@zerohora.com.br
JOANA COLUSSI

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