Hepatite C é subdiagnosticada e prevenção é melhor arma
Fonte: Saúde e Lazer - SP
Saúde & Lazer
15-Jul-2010
Doença “silenciosa” pode causar problemas graves de disfunção do fígado e até evoluir para casos de câncer hepático
De acordo com estudo da Universidade de São Paulo (USP), a hepatite C atinge cerca de 190 milhões de pessoas em todo o mundo e em torno de 2% da população brasileira.
No entanto, não é possível afirmar com precisão o número de pessoas infectadas, uma vez que a doença, considerada “silenciosa”, possui sintomas que costumam se manifestar somente em casos mais graves, o que contribui para que seja subdiagnosticada.
Causada por vírus do tipo VHC, a hepatite C consiste em uma inflamação do fígado e sua transmissão está associada ao contato com sangue contaminado e às relações sexuais. De acordo com o gastroenterologista do Hospital Lifecenter, Lincoln Antinossi, as formas mais comuns de transmissão são o uso de drogas com seringas compartilhadas, transfusão de sangue, hemodiálise, transplante de órgãos e exposição a materiais cortantes. Mães HCV positivas também podem passar a doença para o filho recém-nascido.
Evolução da doença no organismo
A forma aguda da hepatite C não ocorre com frequência, como explica Lincoln Antinossi, mas evolui para casos crônicos na maioria dos pacientes. “Nesse estágio, o paciente pode apresentar, embora não seja comum, mal estar geral, indisposição, icterícia e febre, em função da elevação das enzimas do fígado”, explica.
Os riscos da evolução para a forma crônica são muitos, explica o gastroenterologista do Lifecenter. “A hepatite C na forma crônica pode se transformar em uma cirrose hepática, que consiste em uma inflamação irreversível do fígado, que causa disfunção hepática”, aponta. Antinossi alerta, ainda, que a cirrose pode provocar desde problemas na coagulação do sangue, contribuindo para a formação de varizes gástricas e de esôfago, até quadros de confusão mental gerados por problemas metabólicos. “Há, também, o perigo da evolução para o câncer de fígado.”
Diagnóstico e tratamento
Segundo Antinossi, o diagnóstico da hepatite C é realizado por meio de exames de sangue simples, oferecidos pela maioria dos laboratórios. A doença tem tratamento, mas sua eficácia diminui nos casos em que já evoluiu para a cirrose hepática.
“Existem medicamentos disponíveis para o tratamento da doença, inclusive distribuídos pelo SUS, e a escolha depende do tipo de vírus que causou a infecção”, explica. Entretanto, ele acrescenta que, dependendo do caso, o tratamento pode ser longo e, por vezes, um pouco penoso, por causa dos efeitos colaterais dos remédios.
Em casos mais graves, quando se tem um tipo específico de cirrose hepática ou tumor, o tratamento indicado é o transplante de fígado. Antinossi afirma que novas drogas tentam minimizar efeitos colaterais, mas a maioria ainda está em fase de estudos. “O cuidado e a prevenção são fundamentais, porque trata-se de uma doença crônica desenvolvida de maneira silenciosa.”


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