Editora Planeta lança “1599 – Um ano na vida de William Shakespeare”


Fonte: Brasil Fashion - SP

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O autor James Shapiro se concentra em um único ano da vida do dramaturgo inglês e traça um retrato amplo da sociedade da época, em livro que faturou o mais importante prêmio mundial para não-ficção.

Abordar a obra de William Shakespeare sem considerar a movimentada época em que o dramaturgo inglês viveu é tarefa praticamente impossível. Atento ao universo que envolvia a vida do escritor e que influenciou o seu desenvolvimento artístico, o professor James Shapiro, da Columbia University, em Nova York, escreveu 1599 – Um ano na vida de William Shakespeare (Editora Planeta, 440 páginas, R$ 44,90), vencedor do prêmio “Samuel Johnson” como melhor livro de não-ficção da Inglaterra em 2006 – o mais importante do gênero mundialmente.

Ao longo do livro, o destaque é a vida do escritor: o que Shakespeare leu, escreveu, representou e viu publicado, em um período turbulento – a rebelião irlandesa estava longe de ser conti da e a Armada Espanhola se aproximava de Londres, com traidores e espiões da Scotland Yard por toda parte – um momento que influenciou diretamente a obra do dramaturgo inglês. A rainha Elizabeth I, em idade avançada e sem herdeiro direto, havia transformado a própria insegurança em censura: qualquer pessoa que a maldissesse poderia ser condenada à prisão. Desenvolve-se uma sequência de acontecimentos que modelou a obra de Shakespeare – peças e sonetos que continuam a influenciar, quatro séculos depois de criadas, a maneira como compreendemos o sentido do mundo.

Rotina
Quando um biógrafo do séc. XVII, John Aubrey, perguntou aos que conheceram Shakespeare o que se lembravam dele, ouviu que “ele não era um sujeito social ou gregário”, que “não se deixava depravar” e que, se convidado, desculpava-se, dizendo que “estava com dores”. A imagem do dramaturgo recusando convites para farras com uma desculpa tão pouco convincente tem uma ressonância de verdade, e isso talvez nos reve le o valor que ele dava ao tempo livre que tinha para escrever.

Como dramaturgo residente e ator do Chamberlain’s Men – uma companhia teatral que se apresentava durante todo o ano -, Shakespeare tinha as manhãs tomadas por ensaios. Suas tardes eram ocupadas com apresentações e muitas de suas noites preenchidas com assuntos relacionados a trabalho, como selecionar novas peças para acrescentar ao repertório da companhia. As horas eram poucas e preciosas – tarde da noite e de manhã, muito cedo – para ler e escrever, frequentemente à luz de velas ou lutando contra o cansaço. Se Shakespeare estava apaixonado em 1599, era pelas palavras.

AUTOR
James Shapiro é professor de Inglês e Literatura Comparada na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, desde 1985. Nascido e criado no Brooklyn, em Nova York, é autor de vários livros, entre eles Rival Playwrights, Shakespeare and the jews e Oberammergau: The troubling story of the world´s most famous passion play.

Atualmente, vive em Nova York com a esposa e o filho e tem resenhas e artigos publicados em jornais como The New York Times, The Guardian, Los Angeles Times e Financial Times.

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