Desafios e muitas possibilidades para a literatura infantil
Desafios e muitas possibilidades para a literatura infantil
A literatura para crianças e jovens tem lugar de honra nas Jornadas. Ela ocupa um espaço nada pequenino, nas diversas tendas armadas especialmente para a Jornadinha Nacional de Literatura, que já está em sua sexta edição. Neste ano, haverá ainda o Simpósio Internacional de Literatura Infantil e Juvenil, que traz o debate “A literatura além do verbal”, na manhã do dia 24 de agosto. Participa desta mesa o pesquisador venezuelano Fanuel Díaz, que estuda a literatura infantil produzida em diversos países da América Latina. “Quero levantar uma questão que tem ocupado a minha atenção nos últimos anos: a gramática visual, ou seja, como as crianças leem as ilustrações, a linguagem das imagens”, comenta ele. “Não apenas em como o leitor responde, mas também em como a imagem pode permitir a construção de significados em relação ao texto nos livros-álbuns.”.
Os livros-álbuns estão entre os objetos de especialidade de Fanuel. Ainda pouco conhecido no Brasil, esse formato tem um tamanho maior e geralmente as ilustrações ocupam um espaço preponderante. A 14ª Jornada Nacional de Literatura terá uma exposição de livros-álbuns, com cerca de 100 exemplares de editoras variadas. Na definição de Fanuel: “Eles propõem uma nova forma de abordar a leitura. Em termos gerais, são aqueles cuja construção está apoiada na relação de dependência entre os textos e as ilustrações. Os textos do conjunto não podem ser entendidos sem as imagens, e vice-versa”, explica. “Com esse ponto de vista, entram em jogo muitos tipos de relações entre ambos os códigos, e talvez o mais interessante é aquela em que as imagens se divorciam do texto p ara criar novas zonas de significação, expandir o mundo proposto pelo texto.” De maneira geral, em sua opinião, os livros infantis ainda enfrentam uma série de desafios.
“Um dos mais importantes é superar a banalidade”, fala. Produzem-se muitos livros para crianças, porque este setor editorial se converteu em um negócio atrativo, o que tem prejudicado a qualidade. Muitos livros mantêm um tratamento infantilizado da literatura; outros são de qualidade mediana: em muitos casos eles recorrem a fórmulas de sucesso do mercado ou são obras por encomenda. Em outros casos, são tentativas de embelezar lições de moral ou conteúdos escolares. Assim, o território para o livro autêntico de qualidade ficou reduzido, e esse é um grande desafio que devemos superar. Apesar dos livros-álbuns, Fanuel acredita que ainda há um vasto campo de possibilidades a serem exploradas pelos autores no campo dos livros visuais de literatura infantil. “A linguagem visual ainda está pouco desenvolvida. O livro-álbum, por exemplo, ainda se encontra em construção porque não se consolidou. Ainda que tenha tomado emprestado códigos e formas de outros discursos como o cinema, a publicidade e os quadrinhos”, comenta. Para ele, as novas tecnologias e suportes para os livros, como os tablets, só farão aumenta r o interesse pela leitura.
“A interação tátil permitida pelo Ipad é maravilhosa, e traz junto com ela amplas possibilidades para a animação.” Mas ele acredita na longa vida dos livros impressos, especialmente no setor infantil: “Uma criança precisa ter o livro em suas mãos, tocá-l o, virar suas páginas, olhar as imagens, guardá-lo em algum lugar íntimo. Ou seja, o valor emocional do livro como objeto físico permite que ele não desapareça.” Sobre a Jornada de Passo Fundo A Jornada Literária de Passo Fundo completa 30 anos de existência e chega à sua 14ª edição. O evento ocorrerá entre os dias 22 e 26 de agosto no Circo Literatura, Campus I da Universidade de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. Com o tema “Leitura entre nós: redes, linguagens e mídias”, a programação inclui palestras, conversa com autores, cursos, espetáculos musicais, teatrais e de dança, oficinas, filmes e exposições. Tradicionalmente participam da Jornada Literária escritores de todo o mundo. Neste ano, estão confirmadas as presenças dos portugueses Gonçalo Tavares e Tatiana Salem Lévy; o tunisiano Pierre Lévy; e os argentinos Alberto Manguel e Beatriz; além dos brasileiros Mauricio de Sousa, Elisa Lucinda, Edney Silvestre, Eliane Brum, entre outros.
http://www.maxpressnet.com.br/Conteudo/1,431829,Desafios_e_muitas_possibilidades_para_a_literatura_infantil,431829,1.htm
Fonte: Maxpress
Autor: Redação


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