Criados por 42 professores indígenas, livros vão viabilizar o ensino de português em aldeias no extremo do Pará
Fonte: Beleza é Fundamental - SP
Esta é condição de vida de 1.200 pessoas das etnias Tiriyó e Kaxuyana, na faixa oeste do maior parque indígena do País, o Tucumaque, no extremo norte do Pará, próximo ao Amapá e fronteira com o Suriname. O acesso só é possível de avião, porque não há estradas e os rios não são navegáveis. Para esses brasileiros, falar português só ocorre quando precisam pedir socorro às autoridades para os doentes ou resolver problemas com a Funai. Agora, eles terão a oportunidade de falar a língua oficial do País com o lançamento dos livros “Aprendendo Português nas Escolas Tiriyó e Kaxuyana” e “Praticando português nas Escolas Tiriyó e Kaxuyana”, pela Imprensa Oficial na 21a Bienal Internacional do Livro de São Paulo.
Os títulos integram o Programa de Formação de Professores-Pesquisadores Tiriyó e Kaxuyana, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa e Formação em Educação Indígena Iepé, parceiro da Imprensa Oficial nas publicações. Organizados por Maria Cristina Trocarelli, os livros são compostos por textos, atividades e ilustrações criadas por 42 professores indígenas. Outras duas publicações para a alfabetização nas línguas Tiriyó e Kaxuyana serão editadas pelo Museu do Índio, da Funai.
A tiragem inicial, de 2.500 exemplares, será aproveitada também para o ensino de português das aldeias dos Wayana e Aparai, no Tucumaque. “Antes, o ensino em português era feito com livros do Parque do Xingu. Agora, os indígenas vão estudar com publicações criadas especialmente para eles”, comemora Denise Fajardo Grupioni, coordenadora do programa de formação de professores. “Esperamos que projetos como este ajudem a formação de cidadãos indígenas, sem que suas culturas genuínas sejam usurpadas”, afirma Hubert Álqueres, diretor-presidente da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.


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