Cenário para produção audiovisual
Fonte: Jornal da Orla - SP
Marco Santana
16 de agosto pode ser apenas mais uma data no calendário, mas tem um significado especial para quem trabalha ou simplesmente frequenta o Centro Histórico de Santos. A data, conforme prevê a lei lei n° 1.891, de 2000, estabelece o aniversário da área compreendida pelos bairros Valongo, Vila Nova, Paquetá e Vila Mathias. Evidente que a existência da área é bem anterior —confunde-se com a própria história da Cidade—, mas o Dia do Centro serve para celebrar os avanços conquistados e incentivar os projetos em andamento e futuros.
O processo de revitalização iniciado há cerca de 10 anos, amparado por leis de incentivo e uma forte campanha de conscientização, apresenta resultados que revelam estar se caminhando no rumo certo: o número de empresas abertas saltou de 650 (em 2000) para 984 —aumento de 51%.
Símbolo da recuperação, a linha turística do bonde também apresenta números robustos: desde que começou a funcionar, em setembro de 2000, já transportou 940 mil pessoas.
E ainda há mais por vir: com a viabilização de projetos como o Museu Pelé e o Porto Valongo, a expectativa é colocar Santos, definitivamente, no roteiro internacional de turismo. Ao que parece, Santos não perdeu o bonde da história.
Cenário para produção audiovisual
O processo de revitalização revelou uma outra vocação do Centro Histórico de Santos: cenário para filmes, comerciais e novelas. A Santos Film Commission, entidade destinada a atrair e dar suporte a produções audiovisuais, contabiliza cerca de 100 trabalhos desde a sua criação, em 2007.
Além de permitir que os moradores vejam a própria cidade em telas e páginas, as produções também oferecem oportunidades de trabalho, para atuar como figurantes. Neste sábado (14), por exemplo, a Asacine Produções vai selecionar 119 figurantes para o filme ‘A Última Estação’.
O longa-metragem terá cenas rodadas no porto e na Estação do Valongo, com filmagens previstas para o final de setembro. As vagas são destinadas para pessoas de 16 a 60 anos, que tenham características de imigrantes de diversas nacionalidades (especialmente árabes e europeus), estivadores, seguranças e funcionários do setor de imigração, entre outros. Os interessados devem comparecer à Casa da Frontaria Azulejada (Rua do Comércio, 96) neste sábado (14), das 10h às 17h, para avaliação de perfil.
Revitalização de moradias
Um processo de revitalização só fica completo quando as pessoas são incluídas nele. E é esta a filosofia do “Alegra Centro Habitação”, uma continuidade do programa lançado há sete ano com o objetivo de estimular a instalação de empresas na região histórica.
O “Alegra Centro Habitação” busca erradicar os cortiços da área por intermédio de uma série isenções fiscais, para a reforma de imóveis que hoje são inadequados para moradia.
Numa primeira fase, 221 imóveis localizados nos bairros Paquetá e Vila Mathias, onde moram cerca de 2 mil pessoas, serão contemplados pelo projeto Alegra Centro Habitação. O projeto prevê regras para a reforma de imóveis residenciais, em troca de até oito benefícios fiscais (entre eles, isenções no IPTU, ITBI e ISS sobre a obra).
As moradias coletivas, algumas abrigando famílias inteiras em porões e debaixo de escadas, darão lugar a unidades com no mínimo 5 m² por pessoa e condições razoáveis de iluminação, ventilação e sanitário exclusivo.
Apoio técnico- Os proprietários que não se adequarem à legislação vão ser intimados. Caso persistam no descumprimento, serão multados, terão o imóvel interditado e, no limite, poderão perdê-lo.
Para ajudar os donos dos cortiços, a Prefeitura oferece apoio técnico, em parceria com a Faculdade de Arquitetura da Unisanta. Numa sala sobre o Mercado Municipal, funciona um escritório onde técnicos da Prefeitura, alunos e professores da faculdade ajudarão a elaborar projetos para adequar os imóveis à nova legislação.
Mais de 2 mil novas empresas em 7 anos
Desde que foi instituído, em 2003, o programa Alegra Centro agiu como facilitador para o investimento de mais de R$ 136 milhões na região histórica da cidade, 63% dos quais oriundos dos poderes públicos municipal, estadual e federal, 31% da iniciativa privada e 6% de parcerias público-privadas.
Entre 2003 e 2009, foram abertas 2.276 empresas na APC (Área de Proteção Cultural), ou seja um acréscimo de 43% em relação a 2002 (3.062). No mesmo período, o programa concedeu 219 isenções fiscais aos imóveis com níveis de proteção 1 (preservação total) ou 2 (preservação fachada) que foram restaurados e ocupados com atividades econômicas. Outros 297 passaram por obras de conservação, restauração ou reforma. Os imóveis fechados diminuíram 44,5% e os deteriorados 36%, entre 2006 e 2009.
Os empreendedores interessados em investir na área central podem procurar o Escritório Técnico do Alegra Centro, na Rua XV de Novembro, 41/43, conjunto 86, 8º andar. Técnicos da Seplan (Secretaria de Planejamento) oferecem consultoria especializada e gratuita, de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 17h30. Em sete anos de funcionamento já foram atendidas 2.181 pessoas.


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