Bússola aponta para o norte
Fonte: Estado de Minas - MG
João Paulo
Publicação: 24/01/2012 04:00
O sueco Stieg Larsson é hoje o mais conhecido autor de histórias policiais do Norte da Europa. Sua trilogia Millenium está entre as mais vendidas em vários países do mundo. Merecidamente. A segunda versão para o cinema vai ajudar a vender ainda mais livros e chamar a atenção para um novo estilo de literatura policial, com carga pesada de violência psicológica e problemas políticos. Muita gente pode estranhar e se perguntar: “Mas que crime pode atormentar países tão ricos?”. A resposta dos romancistas europeus dos países do frio impressiona: a bússola do mal parece atraída pelo norte.
Os investigadores geralmente são profissionais de polícia, vivem problemas pessoais graves, têm famílias complicadas e investigam crimes violentos que carregam fortes doses de crueldade, quase sempre com componentes sexuais, políticos e de ódio racial. Não são histórias na tradição racionalista de Sherlock Holmes (onde o crime é um desvio), nem psicológica de Maigret (todos são capazes de matar) e menos ainda de espionagem internacional (na linha da Guerra Fria). São histórias que tratam de pessoas que resolveram os problemas básicos da existência, mas não venceram os demônios do ódio e, principalmente, do medo.
O pioneiro nessa linhagem talvez tenha sido o inspetor Martin Beck, da Polícia Civil de Estocolmo, criação do casal Per Wahloo e Maj Sjowall. Beck vive em estado de depressão, seu casamento naufraga e seus filhos só dão problemas. Além disso, vive o pavor de um novo conflito militar e não acredita na aparente normalidade da atmosfera moral de seu país. Os suecos são sempre muito complicados. Mas Beck foi apenas o primeiro deles a chegar ao Brasil. Confira a seguir alguns lançamentos recentes de romances policiais de autores nórdicos.
Também na telinha
Produzida em 2007 pela dinamarquesa Danish Radio TV Drama, a série Forbrydelsen (foto) seguiu o mesmo caminho da trilogia sueca Millenium. A trama policial ganhou sua versão norte-americana, The killing, já exibida no Brasil. Em 27 de fevereiro o canal Globosat HD estreia a original, com o título de The killing – História de um assassinato (para quem gosta de credenciais, ganhou o Bafta em 2011 de série internacional). O cruel assassinato da adolescente Nanna, que choca a cidade de Copenhague, é o gatilho da história. A narrativa acompanha as investigações sob três pontos de vista: da inspetora de polícia Sarah Lund, que estava prestes a mudar de vida quando ocorreu o crime; do casal Theis e Pernille Birk Larsen, os pais da garota morta; e Troels Hartmann, candidato a prefeito, que se vê envolvido com o assassinato. A série tem 20 capítulos e cada um corresponde a um dia das investigações. Forbrydelsen teve uma segunda temporada, em 2009, mas somente com a personagem Sarah Lund. O terceiro ano está atualmente em filmagem. Já a versão americana, produzida pelo canal AMC, anuncia para 1º de abril a estreia da segunda temporada.
• O SILÊNCIO DO TÚMULO, de Arnaldur Indridason (Editora Cia. das Letras, 320 páginas)
O autor é islandês, nascido em Reykjaík. Seu primeiro romance lançado no Brasil começa com a descoberta de um esqueleto em um lago congelado, provavelmente do tempo da Segunda Guerra. Ao investigar a história, o inspetor Erlendur vai descobrir muitos segredos enterrados pela comunidade. Em meio ao caso, o investigador passa por uma crise pessoal, reavaliando suas escolhas e traumas de infância. A trama emparelha um caso de dimensões históricas com o sofrimento pessoal do detetive, que traz luta ainda contra o vício de drogas de sua filha.
• REDENÇÃO, de Anders Roslund e Borge Hellstrom (Editora Planeta, 352 páginas)
A dupla de autores suecos é formada por um jornalista especializados em assuntos criminais (Anders) e um ex-presidiário e ativista social que questiona o sistema prisional sueco, que trabalha com reabilitação de drogados (Borge). O romance narra a história de um condenado à morte, a investigação de um homem que fugiu de uma prisão de segurança máxima e se sente culpado, e o cotidiano da decisões políticas sobre presídios, expondo a fragilidade do sistema.
• O HOMEM DE BEIJING, de Henning Mankell (Ed. Companhia das Letras, 504 páginas)
O mais conhecido autor sueco de histórias policiais tem vários títulos publicados no Brasil e já vendeu mais de 30 milhões de livros. O mais recente deles, O homem de Beijing, narra história passada em 2006 em Hesjovallen, povoado do norte da Suécia, onde 19 pessoas idosas são assassinadas por um psicopata, sempre depois de torturas violentas. A investigação da juíza Brigitta Roslin vai puxar fios que ligam o crime ao imperialismo europeu do século 19, com acontecimentos espalhados por quatro continentes e fazendo referência a temas da política internacional contemporânea.
• A ESTRELA DO DIABO, de Jo Nesbo (Editora Record, 420 páginas)
O autor é norueguês, músico e economista, criador do detetive Harry Hole, um anti-herói que não gosta de autoridades e sofre com o vício da bebida. Seu estilo, comparado ao do americano Raymond Chandler, tem atmosfera noir e muita ação. Em seu novo caso, precisa descobrir um assassino que depois de matar suas vítimas corta um dedo de cada uma delas e deixa no local um diamante vermelho em formato de estrela. O erotismo, no caso de Nesbo, não tem muitos limites, com direito a cenas cruas de violência e perversão. Em meio ao lirismo escuro e autodestrutivo, o livro acaba por deixar em aberto algumas questões éticas.
• O CORTADOR DE PEDRAS, de Camila Lackberg (Editora Planeta, 448 páginas)
A autora sueca ambienta suas histórias em sua cidade natal, Fjallbacka, na costa ocidental do país. Em seu mais recente romance, um pescador de lagostas, ao recolher a rede, se depara com uma criança morta. O detetive, Patriok Hedstrom, ao investigar o caso, descobre que a menina é filha da melhor amiga de sua mulher. O que parecia ser um acidente se revela um assassinato cruel. A história é contada em paralelo com casos antigos da pequena cidade, que aos poucos vai revelando sua verdadeira face, a partir do perfil de seus habitantes.
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