A era das vedetes passada em revista


Fonte: JB Online - RJ

Jornal do Brasil

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É incorreto fazer referência ao teatro de revista como se fosse um bloco compacto na cena brasileira. Houve muitos teatros de revista, que atravessaram décadas do século 20, como comprova Neyde Veneziano, autora do livro As grandes vedetes do Brasil , a ser lançado hoje, às 19h, na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema, juntamente com Carmem Verônica: O riso com glamour , de Claudio Fragata, sobre uma das principais vedetes do país. Ambos fazem parte da Coleção Aplauso, da editora Imprensa Oficial.

– A revista iniciou-se no Brasil no século 19, ainda que o gênero tenha começado a fazer sucesso a partir de Artur Azevedo (1855-1908) – informa Neyde.

A autora evoca uma época em que espetáculos passavam em revista (daí o nome) os acontecimentos do ano: – Desde os primórdios, a revista investiu no apelo sensorial e em belas mulheres. A citação a Azevedo traz à tona determinadas obras do autor, como a revista O tribofe , que rendeu uma de suas peças mais relevantes, a burleta A capital federal , centrada na observação social própria da comédia de costumes, a exemplo do contraste entre o morador do interior e o da cidade grande – no caso, o Rio de Janeiro, então capital do país.

– Azevedo ganhou dinheiro mesmo foi com as revistas – relata Neyde, lembrando, mais uma vez, o dramaturgo que morreu um ano antes da inauguração do Teatro Municipal, projeto no qual se engajou: – Depois da morte dele, a efervescência tomou conta dos nossos palcos a partir da década de 20, com a revista carnavalesca, que se aproximava do formato da revista do ano. A ideia era lançar as modinhas de Carnaval do m o m e n t o.

Com o passar dos anos, o teatro de revista sofreu outras transformações.

– Na década de 40, imperou a figura de Walter Pinto, responsável pela fase mais luxuosa – sublinha a autora. – Surgiu a revista de variedades, que disp ensou enredo. Aí as vedetes sobressaíram.

Com a ajuda de quatro colaboradores (Daniel Marano, Luís Francisco Wasilewski, Sander Nagy e Maira Mariano), Neyde reuniu verbetes e fotos de mais de 40 estrelas, como Virginia Lane, Mara Rúbia, Nelia Paula, Bibi Ferreira, Janete Jane, Lya Mara, Consuelo Leandro, Sonia Mamed, Carmem Verônica, Iris Bruzzi e Marly Marley.

– Só não pude fazer verbetes de Leila Diniz e da Dercy Gonçalves, porque não tive autorização dos herdeiros. Norma Bengell também não quis ser incluída – esclarece Neyde. – Mesmo assim, usei fotos delas no livro porque pertenciam ao acervo da Funarte.

Além dos verbetes e das fotos, o livro de Neyde reúne textos sobre o gênero que sobreviveu até o início dos anos 60, quando foi substituído pelos shows de boates. Trabalho natural vindo de uma pesquisadora que se debruça sobre o tema desde 1988.

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